Fintech precisa mudar após regras do FGTS? Saiba o novo foco e o aporte de R$ 100 milhões!

A Adaptação Rápida de Fintech em Meio a Mudanças Regulatórias
No ano passado, a empresa havia estruturado cerca de R$ 250 milhões para financiar a operação de crédito atrelada ao saque-aniversário do FGTS, por meio de sua companhia de crédito, a Concrédito. Esse produto representava o ideal para uma fintech: escala veloz, baixo risco e uma demanda quase ilimitada.
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A estrutura estava montada, com parceiros financeiros prontos para abastecer a operação, fazendo parecer que o crescimento era apenas uma questão de execução.
O Impacto das Alterações Regulatórias
Contudo, tudo mudou drasticamente. Em outubro, foram implementadas alterações significativas nas regras. As principais mudanças incluíram um prazo de carência de 90 dias para a contratação de empréstimos, um limite de até cinco parcelas anuais com teto de R$ 500 por saque, e a restrição a apenas uma operação de antecipação por ano.
A Necessidade de Pivotar o Negócio
“Basicamente disseram: vamos acabar com o produto em 30 dias”, relatou Conzatti. Em um mês, o empreendedor precisou reorientar completamente o negócio, mantendo o *funding*, a tecnologia e a distribuição operando. A alternativa encontrada foi focar em um produto que já existia, mas que até então era secundário na estratégia.
Novo Foco e Captação de Recursos
Essa mudança regulatória forçou uma aceleração no processo. O passo mais importante neste novo momento é a captação de um aporte de R$ 100 milhões por FIDC pela Concrédito. Este capital será destinado especificamente para financiar o crédito consignado que a empresa está comercializando.
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Os Desafios do Crédito Consignado Privado
A transição de mercado apresenta desafios consideráveis, principalmente pela diferença entre os dois produtos. No FGTS, o risco era quase inexistente, pois o crédito era garantido por um ativo já existente, o que facilitava aprovações rápidas e alto volume.
No consignado privado, o cenário é diferente. É necessário realizar análise de crédito, segmentar o público e garantir uma conversão mais qualificada. O fundador aponta que é preciso contatar um grande número de pessoas diariamente para fechar um número significativo de contratos, exigindo uma infraestrutura distinta.
A Tecnologia como Pilar de Crescimento
Atualmente, cerca de 80% do atendimento da empresa é gerenciado por inteligência artificial, especialmente em canais como WhatsApp e Instagram. Essa operação foi desenhada para escalar sem depender de um aumento proporcional na equipe humana, sendo essa camada tecnológica crucial para acelerar a transição em tão pouco tempo.
Trajetória de Willian Conzatti
Willian Conzatti iniciou sua jornada empreendedora cedo, lavando carros com o pai no Rio Grande do Sul, aos 11 anos. Essa experiência inicial ensinou-lhe o valor do esforço. Posteriormente, construiu experiência em *call centers*, passando pela gestão, o que lhe proporcionou contato com vendas, metas e operações em escala.
A empresa foi fundada em 2016, com estrutura modesta e foco em crédito acessível. Desde o início, o diferencial não foi apenas o produto, mas sim a capacidade de distribuição. Mesmo sem aparato sofisticado, a geração de volume chamou a atenção de instituições financeiras.
Consolidação em um Mercado Complexo
A captação dos R$ 100 milhões não resolve todos os desafios, mas eleva o patamar operacional no novo produto. Ao criar um fundo próprio para o consignado privado, a empresa deixa de ser apenas uma originadora para terceiros e passa a capturar mais valor em toda a cadeia.
O plano agora é consolidar essa frente, ampliando a originação e aprimorando os modelos de análise e distribuição. Embora seja um mercado mais complexo, com riscos e margens diferentes, ele apresenta um espaço relevante fora do domínio dos grandes bancos.
A trajetória recente demonstra que o negócio evoluiu de uma tese bem executada para uma operação robusta, capaz de reagir sob pressão.
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