O setor náutico brasileiro demonstra uma evolução em direção a práticas mais profissionais, ainda que dependente das flutuações econômicas e da renda disponível da população. Nesse cenário instável, a Fibrafort comemora 35 anos, mantendo a posição de liderança em volume de produção na América Latina.
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A empresa, originada em Itajaí, no litoral catarinense, foi fundada por Márcio Braz Ferreira aos 20 anos, após uma breve experiência na indústria eletromecânica.
Da Produção de Peças à Fabricação de Barcos
Inicialmente, a Fibrafort, criada em parceria com um amigo, focava na produção de peças de fibra, operando com trabalhos sob medida, como a instalação de toboáguas em diversas regiões do Brasil. A virada estratégica ocorreu com a percepção de que projetos personalizados limitavam a escalabilidade e a previsibilidade.
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Essa mudança permitiu o desenvolvimento de produtos de linha, com produção em série.
A primeira embarcação, que impulsionou o crescimento, surgiu em uma fábrica compacta, exigindo a remoção dos equipamentos ao final do expediente. O casco era exposto na rua, atraindo a atenção de observadores. Essa iniciativa gerou o impulso inicial para a marca.
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Um fator crucial foi a valorização do câmbio, que possibilitou a venda de embarcações com um custo de R$ 12 mil, incluindo o motor. Ferreira descreve o momento como “a hora certa, no momento certo”.
Expansão e Novos Mercados
A partir daí, a Fibrafort estruturou três linhas de barcos – Sport, Cruise e Yachts, com comprimentos entre 19 e 42 pés e preços que variam de R$ 200 mil a R$ 3 milhões. A empresa, localizada em Itajaí, realiza todo o processo produtivo, desde o desenho até o acabamento, com uma equipe de 430 colaboradores e uma rede de revendas em todos os estados do país.
O setor náutico brasileiro enfrenta desafios, como a alta complexidade logística na exportação. Para o fundador, essa é a principal barreira à expansão. A empresa, portanto, mantém o foco no mercado interno, com ajustes estratégicos para atender a demandas internacionais, como barcos com maior espaço para acomodação para o mercado americano e modelos mais protegidos para o clima europeu.
O aumento do público durante a pandemia, associado à percepção de que os barcos ofereciam uma alternativa para viagens familiares sem aglomeração, contribuiu para o crescimento da Fibrafort. Além disso, a organização de uma frente parlamentar para desmistificar a ideia de que os barcos são apenas para pessoas ricas, e para destacar o impacto econômico e de emprego gerado pelo setor, também teve um papel importante.
