Festival de Cinema de Mulheres de Gaza abre em Deir al-Balah com evento em homenagem a Hind Rajab.
Em Deir al-Balah, a cerca de 15 quilômetros da Cidade de Gaza, um evento único está acontecendo: o Festival Internacional de Cinema de Mulheres de Gaza. Centenas de palestinos se reúnem diante de uma televisão de 55 polegadas montada sob uma tenda em um campo de refugiados, para assistir a filmes que buscam dar voz à realidade da vida em Gaza.
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O monitor exibe “A Voz de Hind Rajab”, um docudrama que relata a história da menina palestina assassinada com seus familiares em um carro, alvo de ataque israelense. A exibição, que começou no domingo (27) e se estende até sexta-feira (31), é um marco, o primeiro evento cultural significativo no território palestino desde o início do cessar-fogo.
O festival reúne 79 filmes de 28 países, oferecendo uma variedade de perspectivas sobre a situação humanitária.
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O fundador e presidente do festival, Dr. Ezzaldeen Shalh, expressou sua esperança ao CNN: “Saudações aos amantes da vida em meio à morte – damos as boas-vindas a todos. Misericórdia aos mártires e cura aos feridos. Vivemos a vida em todos os detalhes, sabendo que há milhares de histórias esperando para serem contadas através do cinema”. Shalh, que fundou o evento há um ano, destacou que o festival é uma forma de “empoderar as mulheres” e de “desafiar a morte” com a força da cultura e da arte.
Apesar das dificuldades impostas pelo bloqueio israelense e pela destruição da infraestrutura de Gaza, os organizadores se esforçaram para garantir que o festival aconteça. O projetor e os equipamentos foram destruídos, e a única opção disponível é uma televisão de 55 polegadas. A falta de eletricidade é outro grande obstáculo, com a necessidade de alugar um gerador caro e dependente de combustível.
Faten Harb, representante das mulheres na organização, enfatizou o significado do festival: “Dois eventos unidos em mensagem e espírito, ambos homenageando a mulher palestina, que nunca foi uma mera espectadora da história, mas sempre esteve no centro dela, a moldando com suas mãos, a narrando com sua voz e a imortalizando através de suas lentes”.
O júri do festival, composto por cineastas e artistas de diferentes países, busca dar visibilidade às histórias das mulheres de Gaza e do mundo.
Com o estabelecimento do festival, os organizadores planejam oferecer cursos de cinema para mulheres de Gaza a partir de janeiro, com o objetivo de formar um grupo de cineastas locais. Apesar dos desafios, o Festival de Cinema de Mulheres de Gaza se consolida como um símbolo de resistência e esperança, demonstrando a capacidade da cultura de transcender a destruição e de dar voz àqueles que foram silenciados.
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