Fertilizantes nos EUA sob pressão: Trump e Rollins buscam autonomia em meio à crise?

Aumento de Preços de Fertilizantes nos EUA em Meio a Tensões Geopolíticas
Assim como no Brasil, os custos dos fertilizantes nos Estados Unidos tiveram um aumento acentuado, impulsionado pela guerra no Irã. Uma das estratégias do presidente Donald Trump visa aumentar a produção interna desses insumos e utilizar os recursos gerados por tarifas para tentar controlar essa alta.
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Desde 28 de fevereiro, os preços dos fertilizantes nitrogenados subiram mais de 30%.
Impacto nos Custos de Produção Agrícola
Neste mesmo período, os custos combinados de combustível e fertilizantes registraram avanços que variaram entre 20% e 40%. A ureia foi o principal motor desse aumento, com seu preço saltando 47% desde o final de fevereiro, o que representa a maior elevação percentual mensal já registrada, segundo dados da principal entidade agrícola dos EUA.
Medidas Governamentais e Perspectivas de Mercado
Recentemente, a secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, informou que o governo está avaliando o uso de fundos para enfrentar o problema. Ela mencionou que o USDA identificou verbas para acelerar a distribuição de fertilizantes, mas alertou que a normalização dos preços pode levar meses.
Rollins também destacou ações como a isenção de 60 dias concedida pela administração Trump à Lei Jones, que obriga embarcações entre portos americanos a serem operadas por cidadãos dos EUA, além da permissão para aumentar a importação de fertilizantes da Venezuela.
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Busca por Independência Agrícola Nacional
Em entrevista na Fox Business, Rollins reforçou a necessidade de garantir a “independência nacional”. Segundo ela, é crucial não depender do fornecimento estrangeiro de fertilizantes de nações consideradas adversárias, como Rússia e China. É preciso fortalecer a produção doméstica para assegurar a autonomia agrícola.
Os Estados Unidos dependem de uma fonte que supriria cerca de 60% da demanda por macronutrientes vitais: nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K). Apesar disso, o país permanece vulnerável a grandes oscilações de preços e interrupções no suprimento.
Vulnerabilidade e Dependência de Importações
Em 2025, os EUA importaram 95% de suas necessidades de potássio, um índice superior aos 93% vistos em 2021, antes do conflito entre Rússia e Ucrânia. Historicamente, o Canadá forneceu 79% do potássio consumido no país, seguido por Rússia (12%) e Israel (3%).
O setor enfrenta preocupações, pois os grandes produtores já iniciaram a compra de insumos para a próxima safra e demonstram pessimismo. Uma pesquisa aponta que cerca de 70% dos produtores não conseguirão adquirir todo o fertilizante necessário para esta safra.
O Impacto do Bloqueio no Golfo Pérsico
A principal dificuldade reside no Estreito de Ormuz, uma região estratégica para o agronegócio mundial e que está bloqueado pelo Irã. Por lá passam cerca de 30% das remessas globais de fertilizantes, além de 20% do gás natural liquefeito e 27% do petróleo comercializado internacionalmente no Golfo Pérsico.
Com o Irã restringindo o tráfego pela hidrovia, os preços de energia e fertilizantes dispararam. Embora o Irã tenha sinalizado a reabertura de Ormuz, o país voltou atrás após negociações infrutíferas com os EUA.
Desafios de Preços e Commodities
A região do Golfo é um polo de produção de nitrogênio e fosfato, insumos cruciais para o plantio de soja e milho. Nos últimos anos (2023-2025), os países do Golfo se estabeleceram como grandes exportadores regionais de ureia e amônia, além de fosfatados como DAP e MAP.
As relações de preços desses insumos permanecem próximas dos picos históricos desde 2022, tanto no Brasil quanto nos EUA. Essa dependência, mesmo em níveis diferentes, expõe a produção agrícola a choques geopolíticos e margens de lucro menores para os agricultores.
Mitigação de Impactos no Curto Prazo
Diferentemente de 2022, quando o aumento dos custos de insumos veio acompanhado por alta nas commodities, o cenário atual combina preços elevados de fertilizantes com ganhos mais modestos em culturas como soja e milho. Rollins acredita que os custos devem cair com o fim da guerra, mas até lá, o governo federal trabalhará com empresas do setor para amenizar os efeitos dos preços.
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