Experiência Silenciada: Etarismo Revela Crise no Mercado de Trabalho Brasileiro

O mercado de trabalho no Brasil enfrenta um desafio complexo, marcado por um paradoxo demográfico e estratégico. Com o aumento da expectativa de vida e a crescente demanda por profissionais qualificados, a escassez de talentos se tornou um obstáculo para o crescimento econômico.
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Contudo, uma parcela considerável da força de trabalho mais experiente permanece marginalizada. Um recente estudo realizado pelo Pandapé, um software especializado, expõe uma realidade preocupante: o etarismo, longe de ser um problema de custos, é uma barreira cultural profundamente enraizada.
Dados Revelam a Realidade Salarial
Ao contrário da crença comum de que profissionais com mais de 50 anos exigem salários excessivos, a pesquisa do Pandapé demonstra que 60,7% desse grupo recebe uma remuneração similar à de outras faixas etárias. O ponto crucial não reside nas limitações orçamentárias das empresas, mas na percepção das lideranças sobre o valor da experiência.
Subutilização de Talentos e Desemprego
A análise de quase 60 mil currículos revelou um cenário de subutilização de talentos. Profissionais com mais de 51 anos se destacam pelo nível de escolaridade, com mais de 55% possuindo ensino superior, técnico ou pós-graduação. Apesar disso, representam apenas 10,2% dos cadastros e sofrem com um índice de desocupação alarmante, atingindo quase 80% fora do mercado de trabalho.
Segundo Thomas Costa, porta-voz do Pandapé, “o problema não é técnico, é cultural”.
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Discurso vs. Prática no RH
Apesar de reconhecerem os benefícios teóricos de contar com profissionais experientes – com 47,6% destacando a estabilidade e 46,4% valorizando o repertório acumulado – a prática das empresas demonstra uma inércia organizacional. Muitas companhias não discutem o etarismo internamente, e apenas 15,5% possuem políticas claras para combater a discriminação por idade.
Desafios de Integração e Reskilling
As dificuldades de integração enfrentadas por essa geração são frequentemente apontadas como a dificuldade com tecnologia (39,3%) e falhas de comunicação (19%). No entanto, especialistas argumentam que essas barreiras são frequentemente superestimadas, ignorando a capacidade de reskilling (requalificação) desse grupo, que possui um grande potencial de aprendizado e adaptação.
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