Novos Exames de Sangue Prometem Prever o Início do Alzheimer
Por anos, a comunidade científica tem se dedicado a encontrar maneiras de identificar o Alzheimer antes que os primeiros sintomas se manifestem. Agora, avanços recentes em testes de sangue parecem estar se aproximando desse objetivo. A pesquisa ainda está em fase de desenvolvimento, mas tem ganhado força com o surgimento de novos testes, conforme reportado pelo New York Times.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Atualmente, dois desses exames já receberam aprovação nos Estados Unidos, auxiliando no diagnóstico de pacientes que apresentam os primeiros sinais da doença. Os pesquisadores estão conduzindo estudos para determinar se esses testes podem prever quem desenvolverá a demência no futuro.
Essa é uma perspectiva promissora, especialmente considerando o aumento global dos casos de demência.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Especificamente no Brasil, dados do Ministério da Saúde revelam que cerca de 8,5% da população com 60 anos ou mais enfrenta a condição, o que representa aproximadamente 1,8 milhão de pessoas. As projeções indicam que esse número poderá chegar a 5,7 milhões até o ano de 2050.
Como Funcionam os Exames?
O Alzheimer está associado à acumulação de duas proteínas no cérebro: a beta-amiloide e a tau. Com o tempo, essas proteínas perdem sua função adequada e começam a se acumular, formando placas e emaranhados que danificam os neurônios. Esse processo geralmente começa muito antes do surgimento dos sintomas.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
LEIA TAMBÉM!
As placas de amiloide podem se formar até 20 anos antes dos primeiros sinais de perda de memória. Já as alterações na proteína tau aparecem posteriormente e estão mais diretamente ligadas ao avanço da doença. “A tau e a neurodegeneração são o incêndio que causa o maior dano.
A amiloide seria a faísca inicial”, explica o neurologista Eric Reiman, diretor do Banner Alzheimer’s Institute, ao NYT.
Diagnóstico Atual e Novos Testes
Atualmente, o diagnóstico do Alzheimer frequentemente depende da identificação dessas placas no cérebro, por meio de exames como o PET ou a análise do líquido cefalorraquidiano, que são procedimentos caros e invasivos. A busca por um exame de sangue que ofereça respostas semelhantes é, portanto, um foco importante.
O desafio inicial era medir a amiloide fora do cérebro, já que ela também é produzida por outros órgãos, o que dificulta a leitura. A solução foi focar na proteína tau. Pesquisadores notaram que versões modificadas dessa proteína no sangue podem indicar, de forma indireta, o acúmulo de amiloide no cérebro.
Segundo Reisa Sperling, professora de neurologia da Harvard Medical School, esses exames ajudam a captar quando algo já está em curso. “Eles indicam que há um processo ligado ao Alzheimer em andamento e um risco maior de declínio cognitivo”, afirmou.
Precisão e Perspectivas Futuras
Em relação à precisão dos testes, os exames têm demonstrado cerca de 90% de acurácia para detectar sinais associados ao Alzheimer em pessoas que já apresentam sintomas. Isso auxilia no diagnóstico e evita confusão com outras doenças.
Suzanne Schindler, professora de neurologia da Washington University em St. Louis, destaca que “existe a possibilidade de fornecer um diagnóstico para muito mais pessoas”. A leitura do exame depende do nível de tau no sangue. Quando está baixo, a chance de haver Alzheimer é pequena.
Quando está alto, a probabilidade aumenta. No entanto, resultados intermediários podem gerar dúvidas, e nesses casos, os médicos recorrem a exames mais complexos, como o PET ou a análise do líquido cefalorraquidiano, para confirmar o diagnóstico.
Christopher Rowe, da Universidade de Melbourne, ressalta que um resultado positivo nem sempre indica a doença. “Há uma boa chance de ser um falso positivo”, disse. Além disso, mesmo quando há sinais no cérebro, isso não garante que a demência se desenvolver.
Por enquanto, a ciência está mais avançada no desenvolvimento de tratamentos capazes de retardar a doença. Ensaios clínicos estão em andamento, com resultados esperados nos próximos anos.
A prevenção, considerando o que já se sabe hoje, é cuidar da saúde física e mental ao longo da vida. É importante levar isso em conta, visto que, no Brasil, até 45% dos casos de demência podem ser evitados ou adiados, segundo o Ministério da Saúde.
Entre os fatores de risco estão hipertensão, diabetes, obesidade, sedentarismo, tabagismo, depressão e isolamento social, condições para as quais já existem tratamentos robustos.
