O Futuro da Busca por Vida em Europa
A lua Europa, um satélite de Júpiter, tem sido considerada um alvo promissor na busca por vida além da Terra, devido a um vasto oceano subterrâneo escondido sob uma camada de gelo. Pesquisas recentes, no entanto, estão questionando a capacidade desse ambiente de sustentar a vida, como a conhecemos.
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Um estudo recente analisou o fundo do oceano de Europa, buscando evidências de atividade tectônica e vulcânica, que na Terra são cruciais para a interação entre rochas e água, gerando nutrientes essenciais.
Após modelar as condições de Europa, os pesquisadores concluíram que o assoalho rochoso da lua provavelmente é mecanicamente muito resistente para permitir esse tipo de atividade. A falta de movimentação tectônica no fundo do oceano sugere que Europa pode ser desprovida de vida. “Na Terra, atividades tectônicas como fraturas e falhas expõem rochas frescas ao ambiente, onde reações químicas, principalmente envolvendo água, geram substâncias como o metano, que a vida microbiana pode utilizar”, disse o cientista planetário Paul Byrne, da Universidade Washington em St.
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Louis, autor principal do estudo publicado nesta terça-feira (6) na revista .
Atividade Tectônica
“Sem esse tipo de atividade, essas reações são mais difíceis de se estabelecer e manter, tornando o fundo do oceano de Europa um ambiente desafiador para a vida”, acrescentou Byrne. A pesquisa destaca a importância de processos geológicos dinâmicos para a habitabilidade de um ambiente.
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A falta desses processos em Europa implica que a lua pode não possuir as características necessárias para abrigar vida.
Compostos Orgânicos
A vida pode ter surgido na Terra bilhões de anos atrás no ambiente dinâmico ao redor de fontes hidrotermais no fundo do mar. Mas Europa pode não possuir essas características. “Com base em nossas descobertas, o fundo do oceano provavelmente não conteria grandes formas tectônicas, como longas cristas ou vales profundos.
Provavelmente não haveria vulcões submarinos ou montes submarinos, nem atividade hidrotermal como as chamadas ‘chaminés negras’”, afirmou o geólogo da Universidade da Geórgia e coautor do estudo, Christian Klimczak.
Exploração da Europa
Apesar das limitações, a existência de um oceano subterrâneo com potencial para conter água líquida, compostos orgânicos e energia – fatores considerados críticos para a vida – ainda torna Europa um alvo de interesse. A Nasa lançou em 2024 a espaçonave robótica Europa Clipper em uma missão para examinar se Europa possui condições adequadas para sustentar vida.
A agência espacial americana planeja que a Europa Clipper realize dezenas de sobrevoos próximos, a partir de 2031.
Conclusão
Embora a geologia funcione de maneira semelhante em todo o Sistema Solar, cada corpo planetário que exploramos apresentou algum processo único. Dado o que sabemos sobre Europa, ela ainda é o melhor lugar para procurar vida extraterrestre. A força gravitacional de Júpiter afeta suas numerosas luas de maneiras diferentes.
Io, a maior lua interna de Júpiter, é o corpo mais vulcanicamente ativo do Sistema Solar. A gravidade de Júpiter, combinada com forças gravitacionais de outras luas, cria intensas forças de maré em Io, gerando atrito interno e calor. Mas Europa orbita Júpiter a uma distância bem maior do que Io. “O efeito desse aquecimento por marés diminui rapidamente com a distância, então, embora haja aquecimento suficiente para impedir que o oceano de Europa congele completamente, de acordo com nossos cálculos não há energia suficiente para deformar tectonicamente o fundo do oceano.
Em resumo, provavelmente não ocorre em Europa o tipo de atividade que vemos em Io”.
