Etanol Brasileiro em Risco: Queda de Preços e Desafios na Safra 2025/26

Mercado de Etanol no Brasil Enfrenta Pressões com Início da Nova Safra
O mercado brasileiro de etanol está encarando um momento de transição com o início da nova safra agrícola. Apesar de uma base de preços sólida acumulada ao longo do ciclo, o setor observa uma pressão recente, impulsionada principalmente pelo aumento da oferta no Centro-Sul.
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Dados do Cepea, da Eslq, revelam que nos últimos semanas, os valores do etanol registraram uma queda, refletindo fatores como o aumento da produção de cana-de-açúcar e a demanda menos intensa do que o esperado.
Queda nos Preços e Fatores Contribuintes
O etanol hidratado sofreu uma queda de aproximadamente 15% em quatro semanas, enquanto o anidro apresentou uma redução de cerca de 14%. Essa desvalorização está ligada ao aumento da moagem de cana, à maior disponibilidade de matéria-prima nas usinas e à característica sazonal do início da safra.
Em março, o mês final da entressafra no Centro-Sul, o preço médio do hidratado caiu 1,49% para R$ 2,9288 por litro, e o anidro fechou a R$ 3,2834 por litro, com uma queda de 3,66%. A situação reflete a menor procura pelo biocombustível e a desaceleração da produção em algumas unidades industriais.
Desempenho da Safra 2025/26 Apesar da Queda
Apesar da queda recente nos preços, o balanço da safra 2025/26 ainda apresenta resultados positivos. O etanol hidratado, em média, atingiu R$ 2,7805 por litro entre abril de 2025 e março de 2026, com um aumento real de 6,52% em relação ao ciclo anterior.
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O anidro também avançou 6,21%, para R$ 3,1291 por litro. No entanto, esse desempenho não se traduziu em um aumento no volume de vendas, com uma redução de 28% nas vendas de etanol hidratado pelas usinas paulistas.
Gasolina Ganha Força no Mercado
No mercado de combustíveis, a gasolina tem ganhado espaço, com dados da ANP indicando um aumento de 5,64% nas vendas de gasolina C, totalizando 43,38 bilhões de litros. Paralelamente, o consumo de etanol hidratado diminuiu 4,24%, para 19,04 bilhões de litros.
Fatores como a renda, a logística e as preferências dos consumidores continuam influenciando a escolha dos consumidores nas bombas, mesmo com uma relação de preços favorável ao etanol em São Paulo.
Cenário Regional e Expectativas para o Futuro
O setor sucroenergético enfrenta um cenário dividido, com a possibilidade de recuperação do etanol, dependente do cenário energético global, e a necessidade de sustentar os preços do açúcar, impulsionada por restrições de oferta no mercado internacional.
A expectativa de maior oferta de etanol de milho e a volatilidade do petróleo também influenciarão as estratégias das usinas.
Com estimativas de 625 milhões a 630 milhões de toneladas de cana no Centro-Sul, um crescimento de até 4%, o setor observa um panorama promissor. Se o petróleo continuar valorizado, o etanol poderá recuperar sua competitividade frente à gasolina.
Por outro lado, uma maior destinação da cana para a produção de biocombustível pode reduzir a oferta de açúcar e, consequentemente, impulsionar os preços no mercado internacional.
No Norte e Nordeste, o cenário é diferente. Com a safra em fase final, as usinas priorizaram a produção de etanol para fortalecer o caixa. Até fevereiro, a região alcançou 2,79 bilhões de litros de produção de etanol, superando o ciclo anterior.
Em estados como Pernambuco, Paraíba e Alagoas, a menor oferta local sustentou os preços do hidratado, enquanto o anidro sofreu com a entrada de produto de outras regiões. Diante desse cenário, o setor sucroenergético inicia a nova temporada com desafios e oportunidades, buscando equilibrar a recuperação do etanol e a sustentação dos preços do açúcar.
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