Estudo da USP investiga genes de supercentenários e longevidade. Pesquisadores identificam fatores que influenciam a capacidade de adiar a morte.
A ideia de alcançar a imortalidade tem fascinado a humanidade por milênios. A obra literária mais antiga do mundo, o Épico de Gilgamesh, escrito no século XXI A.C. na Mesopotâmia, narra a busca do protagonista por desafiar a morte. Ao longo da história, poucos indivíduos conseguiram prolongar significativamente sua vida, mas a busca pela longevidade continua.
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Atualmente, a ciência investiga os fatores biológicos que podem influenciar a capacidade de adiar a morte.
Um estudo recente, conduzido pela Universidade de São Paulo (USP), sugere que a resposta pode estar nos genes. Pesquisadores identificaram que a capacidade de alguém adiar a própria morte pode ser determinada antes mesmo do nascimento. O estudo, liderado por Mateus V. de Castro, Monize V.R. Silva, João Paulo L.F.
Guilherme e pesquisadores do Centro de Pesquisa do Genoma Humano e Células-Tronco da USP, foi publicado na revista Genomic Psychiatry.
Os “supercentenários”, indivíduos classificados como tal, representam um grupo raro e valioso para a ciência do envelhecimento. Esses indivíduos apresentam uma capacidade singular de adiar ou evitar doenças comuns da velhice, como câncer, demência e enfermidades cardiovasculares.
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Sua resistência faz deles um modelo de envelhecimento bem-sucedido, permitindo investigar fatores biológicos que sustentam a funcionalidade do organismo ao longo de mais de um século de vida.
O estudo destaca que o sistema imunológico é um pilar fundamental da longevidade extrema. Os “supercentenários” apresentam uma reorganização funcional da imunidade, com aumento de células T de memória altamente diferenciadas, maior presença de células natural killer e populações raras de células T CD4⁺ com perfil citotóxico.
Essas características indicam uma adaptação eficiente do sistema imune, capaz de manter vigilância contra infecções e células potencialmente malignas, mesmo em idades avançadas.
Análises genéticas identificaram variantes raras em genes ligados à resposta imune, à estabilidade do DNA, à função mitocondrial e ao controle epigenético. Essas variantes formam uma arquitetura genética que favorece a resiliência biológica e a manutenção da homeostase sistêmica ao longo da vida.
A pesquisa também revelou a importância da autofagia e do reparo de danos genômicos.
O Brasil ocupa uma posição estratégica nos estudos sobre longevidade, devido à sua população geneticamente diversa, resultado de séculos de miscigenação. Essa diversidade aumenta a probabilidade de identificar variantes genéticas protetoras.
Estudos anteriores identificaram milhões de variantes genômicas ainda não descritas em brasileiros. Além disso, o país abriga alguns dos “supercentenários” mais longevos do mundo, com casos notáveis de homens, um grupo historicamente menos representado em patamares etários elevados.
A pesquisa, baseada em mais de 100 centenários e cerca de 20 “supercentenários”, busca compreender como genética, imunidade e manutenção celular atuam de forma integrada, visando orientar o desenvolvimento de estratégias para ampliar o tempo de vida saudável da população em geral.
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