Estudo Chocante Revela Segredos nos Deslocamentos de Favelas em SP!

Estudo chocante revela segredos nos deslocamentos de favelas em São Paulo! Análise de dados de telefonia móvel aponta diferenças surpreendentes. Saiba mais!

28/02/2026 11:48

3 min de leitura

(Imagem de reprodução da internet).

Estudo Revela Diferenças nos Padrões de Deslocamento em Favelas de São Paulo

Uma pesquisa inovadora, baseada na análise de dados de telefonia móvel, lança luz sobre os hábitos de deslocamento dos moradores de favelas na cidade de São Paulo. O estudo, publicado na renomada revista Transportation, foi conduzido por Matheus Henrique Barboza, da Poli-USP (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo), sob a orientação de Mariana Giannotti, com coautoria de Anna Grigolon e Karst Geurs.

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A investigação se insere na tese de doutorado de Barboza, desenvolvida em regime de dupla titulação entre a USP e a Universidade de Twente, nos Países Baixos.

Análise de Dados de Telefonia Móvel Revela Insights Úteis

A pesquisa utiliza dados de 2016, coletados por meio de registros de chamadas, mensagens e conexões de internet gerados automaticamente pelas operadoras de telefonia celular – conhecidos como CDR (call detail records). A partir da identificação das antenas utilizadas ao longo do tempo, foi possível reconstruir os deslocamentos cotidianos dos usuários e inferir seus locais de residência com base no padrão de permanência noturna.

Essas informações foram cruzadas com dados do Censo Demográfico do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), bases de uso do solo da Prefeitura de São Paulo e estimativas de acessibilidade a empregos por transporte público. Os dados utilizados são anônimos e não permitem a identificação direta dos indivíduos.

Diferenças nos Padrões de Deslocamento: Uma Análise Surpreendente

O estudo demonstra que a variabilidade nos padrões de deslocamento entre moradores de favelas é menor do que a observada em áreas formais com renda semelhante. Mesmo após controlar estatisticamente fatores como renda média do setor censitário, uso do solo, densidade de empregos e acessibilidade ao transporte público, a variável “favela” permaneceu estatisticamente significativa.

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Isso significa que duas pessoas com renda semelhante, vivendo em áreas próximas, podem apresentar padrões de deslocamento distintos apenas pelo fato de uma delas residir em favela. A pesquisa, liderada por Barboza, busca entender como a mobilidade, a renda, a informalidade e a condição residencial se relacionam, fatores que se mostram mais persistentes do que se pensava.

Implicações para o Planejamento Urbano e Políticas Públicas

Os resultados têm implicações diretas para o planejamento urbano e a formulação de políticas públicas. Mariana Giannotti destaca que a pesquisa fornece métodos para explorar dados de telefonia de modo a apoiar a elaboração de Planos de Mobilidade, que são obrigatórios para municípios com mais de 20.000 habitantes, conforme a Política Nacional de Mobilidade Urbana.

Além disso, a pesquisa pode subsidiar políticas específicas, como a adequação da oferta de transporte em áreas periféricas, o desenho de tarifas e subsídios mais compatíveis com rotinas de trabalho informal e a priorização de investimentos em infraestrutura e serviços onde a mobilidade cotidiana é mais restrita.

O estudo foi apoiado pela FAPESP por meio de Bolsa de Doutorado e de Bolsa de Estágio de Pesquisa no Exterior, concedidas a Barboza, e de Auxílio à Pesquisa ao Centro de Estudos da Metrópole (CEM), no qual Giannotti é uma das pesquisadoras principais.

O CEM é um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) da Fapesp.

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