Estreito de Ormuz fechado: Tensão explode após bloqueio e ameaças militares no Oriente Médio

Estreito de Ormuz permanece fechado em retaliação a tensões geopolíticas
O estratégico Estreito de Ormuz manteve-se fechado neste domingo, dia 19, em retaliação direta ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos aos portos iranianos. Essa paralisação ocorre apenas três dias após o término de uma trégua estabelecida entre as duas nações em conflito.
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Após mais de um mês de confrontos, período que resultou em inúmeras vítimas e abalou a economia global, o anúncio feito na sexta-feira, dia 17, gerou um impacto imediato nos mercados financeiros. Contudo, no sábado, dia 18, poucas horas após uma tentativa de reabertura, o Irã anunciou o fechamento do estreito, por onde historicamente transitavam 20% do fluxo mundial de hidrocarbonetos.
Aumento da tensão e ameaças militares
Logo após o anúncio do bloqueio, pelo menos três navios comerciais que tentavam atravessar a área foram alvos de disparos. A Guarda Revolucionária, o braço militar ideológico do Irã, emitiu um alerta severo: “Qualquer tentativa de aproximação do Estreito de Ormuz será considerada cooperação com o inimigo e o navio infrator será tomado como alvo”.
Dados do site Marine Traffic indicaram que o tráfego pelo estreito era nulo neste domingo. Embora dois metaneiros tenham se aproximado da ilha iraniana de Larak no início da manhã, os dados da plataforma de rastreamento marítimo mostraram que eles fizeram uma reviravolta.
Divergências diplomáticas e o programa nuclear iraniano
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou a ação iraniana como um ato de desafio. Enquanto isso, os esforços diplomáticos persistem para encerrar a guerra no Oriente Médio, buscando um acordo que supere o que foi iniciado em 8 de abril e que tem prazo de expiração na quarta-feira, dia 22.
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Uma primeira rodada de diálogos entre Estados Unidos e Irã, realizada em 12 de abril no Paquistão, não resultou em um acordo definitivo. Na sexta-feira, Trump informou à AFP que um ponto-chave das negociações havia sido alcançado, mas o país persa negou ter aceitado a transferência das reservas de material físsil.
Posicionamentos divergentes sobre o futuro nuclear
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou neste domingo que desenvolver um programa nuclear constitui um “direito” do Irã. Ele questionou a posição americana, perguntando: “Como é possível que o presidente dos Estados Unidos afirme que o Irã não deve exercer seus direitos nucleares sem explicar por quê?”.
A República Islâmica defende seu direito de desenvolver energia nuclear com fins estritamente civis, embora negue qualquer intenção de fabricar armamento nuclear. Apesar de Trump ter mencionado no sábado “conversas muito boas” com o Irã, as declarações vindas do lado iraniano são, mais uma vez, menos otimistas.
Perspectivas de Acordo e Situação no Líbano
Mohamad Baqer Qalibaf, presidente do Parlamento iraniano e representante de Teerã no diálogo com Washington no Paquistão, declarou na noite de sábado que, embora os países tenham “registrado avanços”, um acordo final “continua distante”.
Por outro lado, o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, expressou otimismo neste domingo sobre uma possível prorrogação do cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos. Em um fórum diplomático em Antália, ele ressaltou que “ainda restam alguns pontos que devem ser esclarecidos”.
Tensão em outro front: o Líbano
No Líbano, outro ponto de tensão, o Exército de Israel anunciou no sábado o estabelecimento de uma “linha amarela” de demarcação no sul do país. As forças israelenses permanecem em uma faixa de dez quilômetros a partir da fronteira, aguardando negociações entre Líbano e Israel, em estado de guerra desde 1948.
O Líbano vive um período de relativa calma, após um mês e meio de conflitos que causaram quase 2.300 mortes e um milhão de pessoas deslocadas. Os moradores, contudo, demonstram receio em retornar permanentemente às suas casas, devido à fragilidade do cessar-fogo que suspendeu as hostilidades iniciadas em 2 de março, dia em que o Hezbollah atacou Israel em retaliação à ofensiva israelense-americana contra o Irã.
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