Estados Unidos reúne 50 países para desafiar o domínio da China em minerais críticos. Iniciativa “Project Vault” busca diversificar o acesso a recursos estratégicos e reduzir a dependência de Pequim
Os Estados Unidos estão organizando uma reunião com mais de 50 países, agendada para quarta-feira (4), com o objetivo principal de ampliar o acesso a minerais críticos. Essa iniciativa visa diminuir a dependência do país em relação ao controle que a China exerce sobre insumos industriais essenciais, uma situação que permitiu à China controlar significativamente as cadeias de abastecimento globais.
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A reunião ocorre após o lançamento do “Project Vault” pelo presidente Donald Trump na segunda-feira (2). O projeto, que conta com um investimento inicial de US$ 10 bilhões do Banco de Exportação e Importação dos EUA e mais US$ 2 bilhões em financiamento privado, visa criar um estoque estratégico de minerais críticos.
A China tem se destacado no processamento de diversos minerais, utilizando essa posição como uma ferramenta geoeconômica. Em algumas ocasiões, o país restringiu as exportações e manipulou os preços, dificultando a capacidade de outros países de diversificar as fontes de materiais utilizados na fabricação de semicondutores, veículos elétricos e armas avançadas.
Países como Coreia do Sul, Índia, Tailândia, Japão, Alemanha, Austrália e República Democrática do Congo estão confirmados para participar da reunião em Washington. A lista completa ainda não foi divulgada pelos Estados Unidos. A medida ocorre em resposta aos controles de exportação de terras raras impostos pela China no ano passado, que causaram atrasos na produção e paralisações para fabricantes de automóveis na Europa e nos EUA, além de um excesso de lítio gerado pela China que paralisou os planos de expansão da produção nos Estados Unidos.
Essa dependência tem gerado tensões em Washington e entre seus parceiros, que têm buscado implementar políticas que promovam alternativas domésticas duráveis de mineração e processamento de lítio, níquel, terras raras e outros minerais críticos.
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A influência da China se tornou evidente em outubro, quando Trump concordou em reduzir as tarifas sobre o país em troca da promessa de Pequim de adiar restrições mais rígidas às exportações de terras raras.
As negociações refletem um esforço mais amplo dos Estados Unidos para trabalhar com parceiros para combater o domínio da China sobre minerais críticos, coordenando ferramentas políticas. Em um momento em que Trump gerou críticas com suas políticas tarifárias, os Estados Unidos e seus parceiros estão avaliando medidas que incluem alinhar incentivos comerciais e de investimento, incentivar novas capacidades de mineração e processamento fora da China e explorar intervenções no mercado, como preços mínimos, estoques estratégicos e restrições à exportação, visando reduzir a influência de Pequim sobre as cadeias de abastecimento vitais para a manufatura avançada e a segurança nacional.
“Acho que isso é um reconhecimento por parte dos Estados Unidos de que devem agir em conjunto com outros para reduzir sua vulnerabilidade em áreas onde a China tem domínio de abastecimento”, disse Scott Kennedy, que lidera o programa de negócios e economia chinesa no Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais em Washington.
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