Carnaval e Futebol: Uma Paixão em Conflito
O carnaval e o futebol sempre foram duas paixões nacionais que se encontram e se influenciam ao longo do ano. As torcidas se manifestam em escolas de samba, os sambas-enredo celebram ídolos do futebol, e os estádios ganham um clima carnavalesco. Jogadores, por sua vez, frequentemente participam dos desfiles como padrinhos ou musas inspiradoras.
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Essa relação, embora intensa, nem sempre é fácil de conciliar.
Essa dinâmica se torna ainda mais evidente em anos de Copa do Mundo. Observa-se uma tendência nas escolas de samba do Rio de Janeiro e de São Paulo de evitar temas relacionados ao futebol ou à Seleção Brasileira durante o carnaval. Em 2026, por exemplo, nenhuma das 12 grandes escolas do Grupo Especial do Rio ou das principais agremiações de São Paulo escolheram o futebol como enredo principal, demonstrando uma cautela compreensível.
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A razão por trás desse comportamento reside no fato de que a Copa do Mundo monopoliza a atenção da mídia e do público por meses, tornando difícil para os enredos sobre futebol se destacarem. Existe um receio de que o tema seja considerado apenas um “discurso” superficial, sem originalidade ou força suficiente para competir com a cobertura massiva da Copa.
Além do medo do oportunismo, as escolas evitam temas relacionados ao futebol por receio de que o enredo “envelheça” rapidamente caso a Seleção Brasileira tenha uma campanha ruim. A ideia de desfilar com um samba exaltando uma conquista iminente, apenas para que o Brasil caia nas oitavas de final, é vista como um risco enorme, considerando o tempo e o investimento emocional que as escolas dedicam aos seus projetos.
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Quando o futebol aparece em carnavais “normais”, geralmente ocorre após conquistas marcantes, como em 1994 ou 2002, ou em homenagens a ídolos eternos, como Pelé, Garrincha, Zico, Romário, ou até figuras como o Dr. Paulo Machado de Carvalho, o Marechal da Vitória.
Em 2026, o Rio de Janeiro viveu o “ano das biografias”, com temas como Rita Lee, Carolina Maria de Jesus e Ney Matogrosso sendo homenageados em desfiles. São Paulo seguiu essa linha, com temas afro, ambientais, mitológicos e narrativas introspectivas.
A escolha por caminhos mais seguros e pessoais, como se observa em 2026, demonstra a importância da estratégia e da avaliação de riscos para as escolas de samba, que buscam garantir o sucesso e a longevidade de seus enredos.
