Diretor da Microsoft, Eric Horvitz, alerta que cortes no financiamento à pesquisa acadêmica ameaçam a liderança dos EUA na corrida tecnológica.
O diretor científico da Microsoft, Eric Horvitz, em entrevista ao Financial Times, expressou preocupação com os cortes promovidos pelo presidente Donald Trump no financiamento federal à pesquisa acadêmica. Horvitz alertou que essa medida pode comprometer a posição dos Estados Unidos como líder global no setor, especialmente na corrida tecnológica.
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A redução de recursos para universidades e agências federais pode levar à fuga de talentos e inovação para outros países.
A gestão Trump já retirou bilhões de dólares de instituições acadêmicas e federais, em alguns casos, reduzindo o financiamento a quase metade. O governo justificou as medidas com base em estratégias de corte de gastos ou alinhamento ideológico, como o bloqueio de recursos para iniciativas de diversidade.
Horvitz considera difícil entender a lógica de competir com outros países enquanto se reduzem os investimentos em pesquisa.
Horvitz argumenta que o modelo norte-americano de financiamento público à ciência foi crucial para o desenvolvimento acadêmico e tecnológico do país. Ele cita o período pós-Segunda Guerra Mundial, quando os Estados Unidos criaram a National Science Foundation (NSF) na década de 1950, que respondeu por mais de 1/4 do financiamento federal destinado à pesquisa.
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Essa abordagem, segundo o executivo, “se mostrou uma maneira impressionante de investir no futuro”, pois “apostarmos no intelecto e nas ideias pode tornar o mundo melhor de maneiras surpreendentes”.
Em resposta aos cortes, Horvitz se uniu à professora da Universidade de Princeton, Margaret Martonosi, e a outros especialistas para apresentar exemplos concretos do impacto do financiamento público. Eles citaram vencedores do Prêmio Turing, que destacaram o papel do investimento público em avanços científicos, como o trabalho de Andrew Barto e Richard Sutton no desenvolvimento da aprendizagem por reforço, que hoje é a base de empresas como Google, OpenAI e Microsoft.
Martonosi enfatizou a importância da transferência de conhecimento da universidade para a indústria, exemplificando com a cadeia de semicondutores e eletrônicos, onde suas ideias foram implementadas em laptops.
Além da inteligência artificial, a política de cortes de Trump tem forçado instituições acadêmicas a reavaliar sua governança e sustentabilidade financeira. Como resultado, pesquisadores e estudantes estão deixando o país ou migrando para o setor privado, atraídos pelo acesso a recursos financeiros e técnicos oferecidos pelas gigantes da tecnologia.
Universidades como Columbia e Penn tiveram financiamentos suspensos devido a acusações de falhas no combate ao antissemitismo ou de promoção de iniciativas de diversidades consideradas ilegais. Com menos bolsas e financiamento, várias instituições já reduziram vagas em programas de pós-graduação, limitando o acesso a carreiras científicas.
Horvitz acredita que, se os Estados Unidos abandonarem esse modelo, a atração de talentos e investimentos em pesquisa se consolidarão em outros lugares. Ele conclui que, se não seguirmos esse modelo, a atração de talentos, o treinamento e os investimentos impulsionados pela curiosidade acontecerão em outros lugares.
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