Desdobramentos do Caso Epstein: Novos Documentos Revelam Vínculos Globais
Quase sete anos após a morte de Jeffrey Epstein em uma prisão federal de Nova York, o caso continua a ganhar novos desdobramentos. A recente divulgação de uma nova leva de documentos oficiais nos Estados Unidos reacendeu investigações, levou a renúncias e voltou a expor vínculos do financista com integrantes da realeza europeia, ex-chefes de governo, diplomatas e empresários.
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Os arquivos, tornados públicos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) em 30 de janeiro, reúnem cerca de 3,5 milhões de registros, entre e-mails, fotografias e vídeos.
Principais Revelações dos Documentos
Os registros divulgados pelo DOJ detalham a extensão da rede de contatos mantida por Epstein ao longo de décadas. Entre os principais elementos destacados nos documentos estão:
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- Contato Contínuo com Figuras Públicas Após Condenação: Mensagens e registros indicam que Epstein manteve relações com políticos, empresários e membros da realeza mesmo após sua condenação em 2008 por crimes sexuais envolvendo menores de idade.
- Pressão Política e Renúncias: A divulgação levou à saída de autoridades de cargos públicos e diplomáticos na Europa, incluindo ex-chanceleres, assessores de segurança nacional e embaixadores.
- Realeza Europeia: Documentos reforçam vínculos do ex-príncipe do Reino Unido com Epstein e mencionam contatos de sua ex-esposa, Sarah Ferguson. Na Noruega, a princesa Mette-Marit aparece associada a centenas de e-mails trocados com o financista após sua primeira condenação.
- Executivos e Instituições Internacionais: Registros citam encontros e trocas de mensagens entre Epstein e dirigentes de organismos multilaterais, incluindo o Fórum Econômico Mundial, que abriu apuração interna.
- Bill Gates: O fundador da Microsoft aparece em diversas menções, após documentos indicarem que o financista teria organizado encontros pessoais com mulheres. Melinda French Gates declarou que o ex-marido deve explicações sobre esses vínculos.
- Família Clinton: O ex-presidente Clinton reconhece ter viajado no jato privado de Epstein, mas nega qualquer conduta ilícita. Ele aceitou depor diante de um comitê do Congresso.
- Donald Trump: O presidente dos Estados Unidos é citado milhares de vezes nos arquivos. Ele afirma não ter sido acusado por nenhuma vítima e sustenta ser alvo de uma conspiração política.
- Empresários e Líderes Culturais: Documentos também envolvem executivos do setor financeiro, jurídico e cultural, resultando em renúncias de dirigentes de universidades, escritórios de advocacia e instituições artísticas.
- Ilhas e Propriedades: Registros reforçam o papel das ilhas privadas de Epstein nas Ilhas Virgens Americanas e de outras propriedades de luxo como locais recorrentes de encontros, viagens e atividades sob investigação.
Contexto e Desenvolvimentos Atuais
Jeffrey Epstein foi um financista americano que construiu uma carreira cercada por relações com a elite política, econômica e social internacional, ao mesmo tempo em que esteve no centro de um esquema de abuso e tráfico sexual de menores investigado por autoridades dos Estados Unidos.
Nascido em 20 de janeiro de 1953, no Brooklyn, em Nova York, Epstein iniciou a vida profissional como professor de matemática e física na Dalton School, uma escola privada em Manhattan, onde estabeleceu os primeiros contatos com famílias influentes ligadas ao setor financeiro.
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No fim da década de 1970, ingressou no mercado financeiro e trabalhou no banco de investimentos Bear Stearns. Em 1988, fundou a J. Epstein & Company, empresa que afirmava prestar serviços exclusivos de gestão de fortunas para clientes com patrimônio superior a US$ 1 bilhão.
A Investigação em Andamento
O caso Epstein está encerrado no âmbito criminal contra o financista desde sua morte, em 2019, mas permanece ativo em outras frentes. Ghislaine Maxwell, ex-parceira de Epstein, cumpre pena de 20 anos de prisão. Em outubro de 2025, a Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitou seu último recurso.
Na segunda-feira, 9, ela compareceu a um comitê do Congresso, mas invocou a 5ª Emenda e se recusou a responder sobre outros envolvidos. No campo civil, o estado de Nova York abriu uma nova janela legal, válida de março de 2026 a março de 2027, para que vítimas entrem com ações indenizatórias.
Também avançam processos contra instituições financeiras suspeitas de terem ignorado indícios das atividades ilícitas do financista.
