Enxaqueca: Novo Tratamento Focado em CGRP Revelado; Dor e Inflamação Ligadas a Disfunção Cerebral.
A enxaqueca é uma condição neurológica complexa que afeta mais de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo. Frequentemente associada à dor de cabeça, pesquisas recentes revelam que as crises envolvem múltiplos sistemas do corpo e iniciam-se muito antes do surgimento da dor propriamente dita.
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Estudos, como os divulgados pela BBC, apontam para um transtorno crônico, onde os episódios representam a intensificação de alterações já existentes no cérebro.
Além da dor, as crises de enxaqueca podem incluir náusea, sensibilidade à luz e ao som, fadiga intensa, alterações visuais e dificuldades de concentração. Neurologistas enfatizam que o termo “enxaqueca” não deve ser usado como sinônimo de dor de cabeça.
O mais adequado é falar em transtorno de enxaqueca, onde a dor é apenas um dos sintomas possíveis.
As crises podem ocorrer de forma secundária, quando há menos de 15 dias de dor por mês, ou crônica, quando esse número é maior. A condição afeta frequentemente pessoas na faixa etária entre 20 e 50 anos e impacta significativamente a qualidade de vida, o desempenho profissional e a saúde em geral.
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Durante décadas, fatores como chocolate, queijo, café, vinho, perfumes, luz intensa e estresse foram considerados gatilhos da enxaqueca. No entanto, evidências recentes sugerem que muitos desses elementos podem ser sintomas precoces, e não causas diretas.
Na fase inicial da crise, chamada de fase premonitória, o cérebro já apresenta alterações que aumentam a sensibilidade a estímulos externos.
Pesquisas com gêmeos e grandes amostras populacionais indicam que a enxaqueca possui um forte componente hereditário. Estima-se que fatores genéticos estejam envolvidos em cerca de 30% a 60% dos casos. Análises do DNA identificaram dezenas de regiões genéticas associadas à enxaqueca, muitas delas relacionadas à regulação dos vasos sanguíneos, à comunicação entre neurônios e ao funcionamento de áreas específicas do cérebro.
Uma das principais hipóteses para explicar a enxaqueca envolve um fenômeno conhecido como depressão cortical alastrante. Trata-se de uma onda elétrica lenta e anormal que se propaga pelo córtex cerebral, alterando temporariamente a atividade dos neurônios.
Essa onda está associada a sintomas como aura visual, sensibilidade à luz e alterações cognitivas. Estudos recentes conseguiram observar esse processo em tempo real, reforçando a ideia de que a enxaqueca começa como uma disfunção elétrica no cérebro.
Apesar de ter origem cerebral, a dor da enxaqueca não surge diretamente no cérebro. Ela é percebida nas meninges, membranas que envolvem o órgão e são ricas em terminações nervosas e células do sistema imunológico. Quando essas estruturas são ativadas, ocorre a liberação de substâncias inflamatórias que estimulam o nervo trigêmeo, responsável pela dor sentida na face, atrás dos olhos, na mandíbula ou no couro cabeludo.
Um dos maiores avanços recentes na compreensão da enxaqueca envolve o peptídeo relacionado ao CGRP. Essa molécula atua na transmissão da dor e na inflamação e aparece em níveis elevados em pessoas com enxaqueca. A descoberta levou ao desenvolvimento de medicamentos específicos que bloqueiam a ação do CGRP.
Estudos clínicos mostram que esses tratamentos podem reduzir significativamente a frequência das crises e, em alguns casos, eliminá-las completamente.
A enxaqueca é uma condição complexa que resulta da interação entre fatores genéticos, alterações elétricas no cérebro, inflamação, hormônios e estímulos ambientais. Por isso, a enxaqueca é cada vez mais vista como uma doença sistêmica, que exige abordagens personalizadas.
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