Enel ignora pressão e mantém foco em São Paulo! CEO Flavio Cattaneo descarta venda da concessionária após apagões. Aposta em soluções e bate testa com Lula
O CEO global da Enel, Flavio Cattaneo, descartou nesta segunda-feira (23) qualquer possibilidade de venda da concessão de distribuição de energia em São Paulo. Em um evento para investidores, o executivo afirmou que os recentes e recorrentes apagões que afetaram a capital paulista têm raízes estruturais, diretamente ligadas ao modelo de rede elétrica aérea da cidade.
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A situação, que deixou milhões de imóveis sem energia na região metropolitana, tem gerado pressão coordenada entre os governos municipal, estadual e federal para que a distribuidora deixe a operação ou que a concessão expire.
“Não estamos interessados em vender”, declarou Cattaneo durante o Enel Capital Markets Day 2026, realizado em Milão. Ele enfatizou que a empresa está cumprindo com todos os requisitos estabelecidos no contrato de concessão e planeja continuar investindo no país.
O executivo ressaltou que, na sua visão, a principal causa dos problemas em São Paulo é a utilização de uma rede aérea, onde os cabos de energia são instalados no meio das árvores.
Cattaneo argumentou que a situação é única entre as grandes metrópoles globais, onde a maioria das redes de distribuição são subterrâneas, como em Madri, Paris ou Roma. Ele explicou que a rede paulista, por ser aérea, fica exposta a danos causados por eventos climáticos extremos e pela presença de árvores.
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Segundo ele, “só Jesus Cristo” poderia evitar os apagões em São Paulo, decorrentes da danificação da rede por árvores.
A Enel propõe a criação de corredores elétricos, através do manejo das árvores, substituindo espécies de grande porte por variedades menores que não interfiram na rede. O executivo informou que a empresa enviará uma comunicação formal ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro responsável pela área para discutir o tema.
Ele também reconheceu que a implementação de soluções estruturais exige tempo e que o cronograma técnico nem sempre se alinha com as expectativas imediatas da população.
Apesar das dificuldades em São Paulo, Cattaneo reafirmou a relevância do Brasil para a Enel. Ele destacou que o país é o único onde a companhia enfrenta esse tipo específico de desafio estrutural na rede de distribuição. O plano estratégico da Enel para os anos 2026-2028 prevê investimentos globais de 53 bilhões de euros, com foco em redes e energias renováveis.
A empresa também avalia realizar novas aquisições, priorizando ativos renováveis operacionais (brownfield), considerados de menor risco e com geração de caixa já estabelecida. Os Estados Unidos continuam sendo uma prioridade de investimento, apesar das incertezas políticas e discussões tarifárias.
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