Endividamento freia consumo: o que o aumento salarial de 2025 não está mostrando?

Endividamento Freia o Consumo Apesar do Crescimento Salarial Recorde
O aumento da massa salarial brasileira, que alcançou um patamar recorde em 2025, não está sendo totalmente refletido no consumo das famílias. Um fator crucial que explica essa discrepância é o elevado nível de endividamento da população. Um estudo realizado pelo banco Daycoval analisou a correlação entre o endividamento familiar e o impacto da massa salarial no consumo.
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Impacto Reduzido da Renda em Cenário de Dívidas Elevadas
Os resultados apontam uma diferença significativa: quando o endividamento é baixo, cada ponto de crescimento na massa salarial adiciona 0,29 ponto ao consumo. Contudo, em um cenário de alto endividamento, esse impacto cai drasticamente para 0,17 ponto, representando uma queda de quase 40% na influência da renda.
O Limite Crítico do Endividamento
Segundo o levantamento, essa mudança ocorre quando a relação entre a dívida e a renda das famílias ultrapassa 39,6%. O documento alerta que, “Acima desse patamar de endividamento, o aumento da massa salarial passa a impactar menos o consumo das famílias”.
O endividamento subiu de 17% da renda em 2005 para quase 50% em 2025, conforme os dados apresentados. Paralelamente, o papel do crédito se torna um fator variável, dependendo do nível de endividamento.
Crédito: Sustentação no Curto Prazo e Dependência no Longo Prazo
Quando as famílias estão menos endividadas, o crédito exerce pouca influência, e o consumo é impulsionado principalmente pelo aumento da renda. Em contrapartida, em momentos de maior endividamento, o crédito ganha relevância, contribuindo com cerca de 0,10 ponto percentual para o consumo.
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Isso sugere que famílias mais endividadas acabam dependendo do crédito para manter seu padrão de gastos. Para medir isso, o estudo simulou o consumo durante a pandemia e o período subsequente, de 2020 a 2022.
A Inversão de Tendência Pós-Pandemia
Os resultados mostraram que, apesar do alto endividamento, o período foi positivo para o consumo, pois o crédito ajudou a sustentar a atividade econômica. No entanto, a partir de 2023, esse efeito começou a reverter.
Com a desaceleração das concessões de crédito, o consumo cresceu cerca de 3 pontos percentuais a menos por ano do que o esperado se o endividamento não tivesse superado o nível crítico de 39,6%. Em 2025, essa perda acumulada atingiu 3,6 pontos percentuais.
Perspectivas para 2026 e a Importância da Redução de Dívidas
Em resumo, embora a massa salarial continue crescendo de maneira robusta, o consumo não acompanha o mesmo ritmo devido ao alto endividamento. A comparação entre os períodos evidencia que, no curto prazo, o crédito consegue compensar a menor resposta da renda.
Contudo, no médio prazo, essa dependência acaba alimentando ainda mais o ciclo.
“Em 2026, enquanto o endividamento permanecer acima desse nível, o aumento da massa salarial continuará tendo efeito reduzido sobre o consumo, e a redução das dívidas das famílias ganha importância para a dinâmica do consumo”, conclui o Daycoval.
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