A Saga da Encol: Um Caso de Crescimento Descontrolado
Em 1961, a incorporadora Encol surgiu com um capital modesto, equivalente à metade do valor de um automóvel popular da época. Fundada pelo engenheiro Pedro Paulo de Souza, a empresa rapidamente se tornou uma das principais construtoras do Brasil, impulsionada por uma fórmula de crescimento ousada.
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A Encol oferecia facilidades de financiamento incomuns, permitindo que seus clientes utilizassem carros, imóveis e até mesmo linhas telefônicas como forma de pagamento. No entanto, essa expansão desenfreada, que atingiu seu ápice na década de 1970, acabou se revelando um erro estratégico.
A Queda da Encol
Apesar de seu sucesso inicial, a Encol enfrentou uma crise profunda na década de 1980, quando juros altos e uma economia instável tornaram seu modelo de crescimento insustentável. Mesmo com o esforço de 30 bancos unidos, a empresa não conseguiu evitar a falência.
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Em 1997, Pedro Paulo de Souza admitiu que a Encol havia crescido demais e que a falta de controle havia contribuído para o seu destino. Na época, a empresa possuía um patrimônio líquido positivo estimado em R$ 400 milhões, um estoque de unidades para vender de R$ 900 milhões e mutuários com R$ 1,561 bilhão a pagar.
Consequências da Falência
A falência da Encol, em 1999, deixou um rastro de obras inacabadas em todo o Brasil, do Rio Grande do Sul ao Amazonas. Em Manaus, o empreendimento Wille Dijon, com duas torres e 88 apartamentos, permanece inacabado e em estado de deterioração. A crise afetou mais de 40 mil famílias, gerando um prejuízo financeiro estimado em R$ 2,5 bilhões, que em valores atuais ultrapassa os R$ 10 bilhões.
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A situação expôs os perigos de um modelo de gestão inadequado para uma empresa de grande porte.
Legislação e Recuperação
A falência da Encol impulsionou mudanças na legislação brasileira. Em 2004, foi sancionada a Lei 10.931, que instituiu o patrimônio de afetação, protegendo os recursos destinados a empreendimentos imobiliários. Além disso, alterações na legislação de falências permitiram a proposta de planos de recuperação extrajudicial para construtoras em dificuldades, algo que poderia ter evitado a falência da Encol se estivesse vigente à época.
A transferência dos empreendimentos aos proprietários, através de associações, também foi um mecanismo de recuperação.
Apesar dos esforços, os proprietários enfrentaram prejuízos significativos, como no caso do Wille Dijon, onde apenas 13% da obra estava executada após mais de dez anos. O legado da Encol serve como um alerta sobre a importância do controle e da gestão financeira em empresas de grande porte.
