Empresas no Brasil: 93% têm canais de denúncia, mas a efetividade é um desafio urgente!

93% das empresas brasileiras têm canal de denúncia, mas a efetividade é baixa! KPMG revela que muitos colaboradores não usam por medo. Saiba mais.

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(Imagem de reprodução da internet).

Denúncias Corporativas: Um Panorama da Efetividade no Brasil

Uma pesquisa recente da KPMG, baseada na 5ª edição do Perfil do Hotline no Brasil, revelou que 93% das empresas brasileiras já possuem algum tipo de canal de denúncia. No entanto, a simples existência do canal não garante que ele seja realmente eficaz.

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Os resultados indicam que, embora a maioria dos colaboradores (79%) declare confiar nesses canais, há uma diferença notável no número de denúncias registradas.

Em mais de um terço das empresas (36%), o número anual de denúncias ultrapassa 120 casos. Por outro lado, 25% dos estabelecimentos registram um volume muito baixo de denúncias – menos de 12 por ano – o que é preocupante, considerando o tamanho e a complexidade dessas organizações.

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Segundo Andre Purri, CEO da HRTech Alymente, “Muitos casos de assédio e outras irregularidades não chegam aos hotlines devido ao medo de retaliação, à falta de confiança na apuração ou à ausência de um acolhimento adequado”.

A efetividade desses canais depende, portanto, mais da cultura organizacional do que da tecnologia em si. A rapidez na investigação, o retorno aos denunciantes com informações sobre as medidas tomadas e a comunicação transparente das ações corretivas são fatores cruciais para construir e manter a confiança no sistema.

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Além disso, a pesquisa apontou que o grupo etário entre 25 e 35 anos é o que mais utiliza os canais de denúncia. Homens predominam nas denúncias relacionadas a fraudes e corrupção. Apesar desses dados, a maioria das vítimas ainda não formaliza suas queixas, o que sugere que os números oficiais representam apenas uma parte do problema real.

A atualização da Norma Regulamentadora 1 (NR-1), que entrará em vigor em maio de 2026, reforça a importância de as empresas terem uma gestão estruturada para lidar com riscos psicossociais, como assédio moral e sexual. A norma exige que as empresas identifiquem, documentem e mitiguem essas situações de forma proativa.

Os dados da KPMG funcionam como um termômetro: a existência do canal é apenas o primeiro passo. A efetividade depende da confiança, do acolhimento e de respostas concretas. A pesquisa também revelou que 92% das empresas possuem programas de compliance ou integridade, e que 41% dos hotlines estão em operação há mais de cinco anos, indicando um certo grau de maturidade estrutural.

Uma parcela significativa (73%) terceiriza o primeiro atendimento aos denunciantes, o que pode aumentar a percepção de imparcialidade e sigilo.

Setores altamente regulados, como os financeiros, de energia, saúde e grandes indústrias, lideram o ranking de maturidade na gestão de denúncias. A incidência de assédio tende a ser menor em ambientes que valorizam o respeito, a ética e uma cultura organizacional forte, em vez de apenas regras formais.

Treinamento contínuo e comunicação clara são elementos essenciais para fortalecer esses canais de denúncia.

A pesquisa analisou dados de 128 empresas brasileiras de diversos setores, incluindo consumo e varejo, indústria, saúde, automotivo, tecnologia, telecomunicações, construção, energia, logística, agronegócio, governo, fundos de investimento, real estate, turismo e entretenimento.

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