Educação Bilíngue: Especialistas Alertam sobre Vantagens para Crianças

Especialistas debatem sobre a viabilidade de escolas bilíngues, que propõem imersão em inglês em diversas áreas. Pedagoga Vanessa Codecco destaca impacto no desenvolvimento cognitivo e emocional de crianças. Médico Nelson Douglas Ejzenbaum reforça a neuroplasticidade infantil até 5 anos para o aprendizado de idiomas

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(Imagem de reprodução da internet).

A crescente busca por uma educação que transcenda o ensino tradicional de idiomas tem gerado dúvidas em muitas famílias sobre a viabilidade de matricular seus filhos em escolas bilíngues. Diferentemente dos cursos de idiomas convencionais, o modelo bilíngue propõe uma imersão onde o inglês não se limita a uma disciplina, mas se torna o principal meio de aprendizado em áreas como matemática, ciências e artes.

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Impacto no Desenvolvimento Cognitivo e Emocional

Especialistas defendem que o contato constante com duas línguas impacta diretamente a formação intelectual e emocional do estudante. A exposição a diferentes idiomas pode aprimorar o raciocínio lógico, a concentração e a organização do pensamento, conforme observado por Vanessa Codecco, pedagoga e diretora pedagógica do Twice Bilingual, sistema de ensino da Rhyzos Educação.

Janela de Oportunidades: Neuroplasticidade Infantil

A percepção é reforçada por dados da área médica. De acordo com o médico pediatra e neonatologista Nelson Douglas Ejzenbaum, membro da Academia Americana de Pediatria, crianças de até 5 anos apresentam uma neuroplasticidade elevada. O ideal, segundo ele, é iniciar o aprendizado por volta dos 4 ou 5 anos, período em que a criança demonstra uma capacidade notável de gravar e compreender simultaneamente os dois idiomas.

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Ampliação das Capacidades Intelectuais

O médico explica que o aumento das conexões neurais nesse período vincula diferentes tipos de inteligência, ampliando a capacidade de compreensão. “O aprendizado se torna mais fácil e a criança vai aprendendo, pouco a pouco, a falar duas línguas ao mesmo tempo.

Não vejo desvantagem nisso”, afirma Ejzenbaum.

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Critérios para Escolher a Escola Bilíngue

Juliana Diniz, diretora de negócios da Start Anglo Bilingual School, da Somos Educação, destaca que as diretrizes atuais para esse modelo de ensino preveem, no mínimo, 30% da grade curricular em inglês. Ela ressalta que habilidades como flexibilidade de pensamento e resolução de problemas complexos são mais acentuadas em jovens que têm acesso à educação bilíngue desde cedo.

Aspectos a Considerar na Escolha

Para avaliar a adequação de uma escola bilíngue, é fundamental considerar diversos aspectos. A família deve verificar se a escola oferece exposição diária ou muito frequente ao idioma, pois a proficiência exige tempo de exposição contínuo.

Além disso, é crucial questionar a formação do corpo docente, assegurando que o professor possua preparo pedagógico para ensinar disciplinas específicas na segunda língua.

Ambiente e Metodologia

É importante observar se o bilinguismo está presente em todo o colégio, com comunicação visual, livros da biblioteca e eventos culturais que contemplam as duas línguas de forma integrada. A escola deve ter um currículo articulado, com aprendizado intencional para garantir que o aluno se desenvolva bem tanto no português quanto no inglês.

Foco em Habilidades Globais e Autonomia

Considerando esses aspectos, a educação bilíngue pode ajudar na formação da identidade e no desenvolvimento da autonomia, conforme Sabrina Almeida Ribeiro, diretora de internacionalização na Global Me School. Para ela, o aprendizado na infância acontece de forma integrada e fluida, o que facilita o acesso ao repertório de línguas com mais naturalidade do que ocorre com adultos que estão aprendendo. “A educação bilíngue favorece a compreensão de múltiplas perspectivas e fortalece o sentimento de pertencimento a comunidades locais.”

Conclusão: Um Investimento no Futuro

As especialistas reforçam que o ensino bilíngue, quando bem estruturado, exige uma abordagem específica para formar alunos mais confiantes e autônomos. “No fim, não é só sobre falar outra língua, mas sobre formar um cidadão capaz de expressar emoções e raciocinar de forma lógica em contextos diversos”, conclui Juliana Diniz.

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