O jejum intermitente ganha destaque como método para perda de peso e saúde. A prática, que alterna períodos de alimentação com abstinência, apresenta riscos e não é adequada a todos. Dr. Ordânio Almeida alerta sobre a importância de avaliação médica e acompanhamento profissional
O jejum intermitente tem ganhado destaque como método para perda de peso e otimização da saúde metabólica. A ideia de alternar períodos de alimentação com longos períodos de abstinência alimentar pode parecer promissora, porém, essa prática não é isenta de riscos e não se adequa a todos.
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Apesar dos potenciais benefícios divulgados, é crucial entender que a eficácia e segurança do jejum intermitente variam de pessoa para pessoa.
Durante o período de jejum, o organismo passa por transformações significativas em seus níveis hormonais e metabólicos. A redução da ingestão calórica resulta na diminuição dos níveis de insulina, o que, por sua vez, estimula o corpo a utilizar a gordura como principal fonte de energia.
Em alguns indivíduos, essa mudança pode melhorar a sensibilidade à insulina, auxiliar no controle do peso e diminuir a inflamação.
Adicionalmente, o jejum promove processos celulares de adaptação, como a autofagia, um mecanismo essencial para a renovação celular. No entanto, esses efeitos dependem de fatores como a duração do jejum, a qualidade da alimentação durante as janelas alimentares, a rotina de sono, o nível de atividade física e o estado hormonal do indivíduo.
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O jejum intermitente tende a ser mais eficaz em pessoas com resistência à insulina, sobrepeso leve a moderado e hábitos alimentares desorganizados. Quando realizado sob acompanhamento médico, a estratégia pode auxiliar na redução de impulsos por beliscos, melhorar a percepção da fome e facilitar a adesão a um padrão alimentar mais equilibrado.
Homens adultos com boa saúde metabólica geralmente toleram melhor períodos de jejum em comparação com mulheres, especialmente aquelas em idade fértil. É importante ressaltar que, quando conduzido corretamente, o jejum pode ser uma ferramenta útil, mas não substitui a importância de uma alimentação de qualidade e um planejamento nutricional adequado.
Apesar da popularidade, o jejum intermitente não é recomendado para todos. Pessoas com histórico de transtornos alimentares, gestantes, lactantes, indivíduos com baixo peso, distúrbios hormonais, anemia ou que utilizam determinados medicamentos, podem apresentar piora do quadro clínico ao adotar essa prática.
Em mulheres, o jejum prolongado pode interferir no eixo hormonal, levando a alterações no ciclo menstrual, fadiga, irritabilidade e dificuldade em emagrecer. Para atletas e indivíduos fisicamente ativos, o jejum mal planejado pode comprometer o desempenho, favorecer a perda de massa muscular e aumentar o risco de lesões.
Iniciar um jejum de forma consciente, considerando-o como uma mudança de estilo de vida em direção a hábitos mais saudáveis, é fundamental. Evitar a crença de que o jejum “compensa” uma alimentação desorganizada é crucial. Uma alimentação de qualidade durante as janelas alimentares, e não a compensação, deve ser priorizada.
O jejum intermitente não é um atalho ou solução mágica. É uma estratégia que pode ser útil e historicamente utilizada em contextos específicos, mas que exige avaliação médica e acompanhamento profissional. Em nutrologia, o melhor plano alimentar é aquele que respeita a individualidade, promove a saúde metabólica e pode ser mantido a longo prazo – com ou sem jejum.
Dr. Ordânio Almeida – CRM-SP 210.631 Médico com atuação em Nutrologia, focado em nutrição clínica e estudo de qualidade de vida. Membro da Brazil Health.
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