A Complexidade das Doenças Raras e a Busca por Diagnóstico
As doenças raras, embora impactem um número relativamente pequeno de pessoas, representam um desafio complexo para a medicina. Muitas vezes, o diagnóstico é um processo longo e doloroso, marcado pela incerteza e pelo sofrimento da família. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 13 milhões de brasileiros convivem com uma dessas condições, enquanto o número global de pessoas afetadas chega a 263 milhões, incluindo mais de 7 mil tipos de doenças distintas.
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O paradoxo reside no fato de que, apesar da raridade individual, o impacto coletivo é significativo, exigindo uma abordagem médica especializada e, muitas vezes, inovadora.
O Desafio do Diagnóstico e a Revolução Genômica
O tempo médio até o diagnóstico de uma doença rara pode ultrapassar cinco anos, um período que se traduz em progressão da doença, irreversibilidade de sequelas e desgaste emocional para a família. A identificação precisa da causa genética da doença é crucial para direcionar o tratamento e melhorar a qualidade de vida do paciente.
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Nesse contexto, a genética médica tem desempenhado um papel cada vez mais importante, impulsionada por avanços tecnológicos como o Sequenciamento do Exoma e do Genoma Completo.
O Sequenciamento do Exoma foca nas regiões codificantes do DNA, enquanto o Genoma Completo analisa tanto as regiões codificantes quanto as não codificantes, permitindo uma avaliação mais abrangente do material genético. Essas ferramentas revolucionaram a prática clínica, permitindo identificar alterações genéticas em um único gene entre milhares, reduzindo o tempo de incerteza e possibilitando o desenvolvimento de terapias personalizadas.
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Iniciativas para Ampliar o Acesso ao Diagnóstico
Apesar dos avanços tecnológicos, o acesso a esses testes diagnósticos ainda é restrito a uma parcela da população, devido ao custo e à complexidade. Para enfrentar esse desafio, iniciativas como o Programa Brasileiro de Doenças Não Diagnosticadas (UDP-BR) têm se destacado.
O UDP-BR funciona como uma rede nacional de apoio, permitindo que médicos de qualquer região submetam casos clínicos para análise por um comitê de especialistas.
O programa oferece gratuitamente até três exames de exoma por mês para pacientes sem recursos financeiros, representando uma ação concreta para ampliar o acesso ao diagnóstico. Além disso, a conscientização sobre as doenças raras é fundamental, como evidenciado pela resolução da OMS em maio de 2025, que solicitou aos países a integração dessas doenças aos sistemas nacionais de saúde, com foco na cobertura universal e no incentivo à inovação.
O Futuro do Cuidado e a Importância da Colaboração
Para a médica geneticista Thereza Loureiro, o futuro do cuidado com as doenças raras reside na colaboração entre instituições, ciência e tecnologia. A união desses elementos pode vislumbrar um futuro no qual ninguém precise viver com o peso de uma doença sem nome.
A busca por diagnóstico e tratamento exige um esforço conjunto, impulsionado pela inovação e pelo compromisso com a dignidade do paciente.
