Dívida Pública: Um Desafio Global com Implicações Complexas
A estabilidade econômica e política mundial enfrentam um desafio crescente: o aumento da dívida pública. Em 2026, a tendência é que sete das onze maiores economias do planeta operem com dívidas superiores ao seu Produto Interno Bruto (PIB). Essa situação é agravada por estímulos fiscais da pandemia de COVID-19 e pelo ciclo de juros iniciado em 2021 para controlar a inflação global. A projeção do Fundo Monetário Internacional (FMI) indica que essa situação se manterá até 2026, com todas as economias apresentando resultados nominais negativos, ou seja, gastando mais do que arrecadam, sem considerar os juros da dívida.
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A contabilização dos valores também é um fator importante. Enquanto o Banco Central do Brasil (BC) exclui alguns títulos da carteira da autoridade monetária, o FMI os inclui. Essa diferença na contabilização explica a divergência dos números.
O Efeito Bola de Neve
Economistas observados pelo Poder360 chamam essa dinâmica de “efeito bola de neve”, onde o crescimento da dívida por juros supera o crescimento econômico nominal. O problema não reside no tamanho da dívida, mas na forma como sua trajetória consome a liberdade fiscal, exigindo financiamento constante e elevando os custos de manter o estoque da dívida.
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Desafios Europeus e Norte-Americanos
A situação é particularmente complexa na Europa, onde altos níveis de dívida se combinam com pressões demográficas (envelhecimento populacional), a substituição do petróleo russo por fontes de energia mais caras e a necessidade de aumentar os gastos militares. A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) tem como meta investir 2% do PIB em defesa, podendo chegar a 5% até 2035, pressionando ainda mais os orçamentos.
Nos Estados Unidos, apesar dos déficits elevados, a flexibilidade para rolar a dívida em dólar e manter autonomia monetária oferecem maior resiliência. No entanto, a trajetória fiscal pode gerar deterioração da confiança, aumento do custo de financiamento e volatilidade nos mercados. O maior shutdown da administração federal em outubro de 2025, com 43 dias de paralisação, demonstra os riscos de impasses orçamentários.
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A Dinâmica da Dívida: Um Risco Global
Economistas convergem na avaliação de que o risco não está apenas no tamanho da dívida, mas na sua dinâmica: quando os juros pagos superam o crescimento nominal da economia, a trajetória se torna autossustentada e progressivamente mais difícil de reverter. Déficits deixam de ser pontuais e comprometem a capacidade de planejamento de médio e longo prazo.
Orçamentos engessados por juros e dívidas limitam o investimento estratégico e a manutenção de políticas sociais. Essa escalada representa uma das principais ameaças à governabilidade e à ordem global, especialmente na Europa, onde pressões fiscais, desafios demográficos e tensões geopolíticas convergem simultaneamente.
