DIU Hormonal e Câncer de Mama: Alerta e Cautela na Análise de Risco

DIU hormonal e câncer de mama: novo alerta? Estudos apontam risco, mas especialistas pedem cautela. Descubra os detalhes chocantes!

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(Imagem de reprodução da internet).

DIU Hormonal e Risco de Câncer de Mama: Uma Análise Cautelosa

Estudos epidemiológicos têm investigado há anos a possível relação entre o uso de DIU (dispositivo intrauterino) hormonal e o risco de câncer de mama – um tema que frequentemente gera dúvidas entre pacientes em consultórios e nas redes sociais. Embora análises de grandes bases populacionais apontem uma associação estatística entre o DIU liberador de levonorgestrel e um aumento no risco da doença, especialistas pedem cautela na interpretação desses resultados. Um dos estudos mais citados, publicado em 2024 no Dinamarca, analisou dados de mais de 150 mil mulheres, metade das quais eram usuárias do DIU hormonal. Após ajustes estatísticos, os pesquisadores observaram um aumento relativo de 40% no risco de câncer de mama associado ao uso do método.

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Risco Relativo e Impacto Absoluto

Contudo, é preciso interpretar esses achados com cautela. “Apesar do aumento relativo demonstrado em alguns estudos, o aumento absoluto é baixo, e esses valores são similares aos observados com uso de anticoncepcionais orais ou por obesidade e consumo de bebidas alcóolicas”, analisa o oncologista Diogo Sales, do Einstein Hospital Israelita em Goiânia. A análise do risco absoluto é crucial para entender a magnitude real do impacto do DIU hormonal no desenvolvimento da doença.

Duração e Fatores de Risco Adicionais

A possível ligação entre contraceptivos hormonais e câncer de mama está relacionada ao papel dos hormônios sexuais no crescimento das células mamárias. Isso porque o tecido da mama é sensível a estrogênio e progesterona, que regulam a proliferação celular. “A exposição prolongada a essas substâncias ao longo da vida pode aumentar a probabilidade de duplicação no DNA e, portanto, o surgimento de células cancerígenas”, explica Sales. Entre os fatores que aumentam o tempo de exposição hormonal estão menarca precoce, menopausa tardia ou não ter filhos. Mas ele também é suscetível ao consumo de álcool e à obesidade, por exemplo, além da genética. “O risco do anticoncepcional é de magnitude similar a outros fatores conhecidos”, aponta o oncologista. “Se você tem um parente de primeiro grau que teve câncer de mama, o risco aumenta em duas vezes. Se tiver dois parentes de 1º grau que tiveram a doença, o risco é 3 vezes maior que o da população geral.”

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Considerações Finais e Recomendações

Muitos estudos observacionais não conseguem controlar completamente outros fatores que influenciam o risco de desenvolver a doença. Portanto, esses percentuais precisam ser interpretados no contexto do risco absoluto da doença. E, mesmo nos estudos que olharam para esse contexto, o impacto absoluto foi pequeno. No caso da Dinamarca, entre 1 e 14 casos adicionais de câncer de mama a cada 10 mil mulheres que utilizam o DIU. “Pode ser difícil refinar os estudos a ponto de chegar à conclusão de que os casos poderiam ter outra associação. Então, vale reforçar a mudança de estilo de vida para reduzir risco de câncer de mama. Isso é o mais importante”, orienta Ilza Maria Urbano Monteiro, presidente da Comissão Nacional Especializada em Anticoncepção da FEBRASGO (Federação Brasileira de Associações de Ginecologia e Obstetrícia). “Toda medicação, até coisas simples como vitaminas, tem efeitos benéficos e colaterais. O importante é que as pessoas sejam bem orientadas antes utilizar, questionem possíveis efeitos adversos e entendam potenciais riscos associados.”

Este texto foi publicado originalmente pela Poder360 em 30 de março de 2026. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, e foi adaptado para o padrão do Poder360.

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