Ministro Flávio Dino Defende Regulamentação das Plataformas Digitais
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, defendeu nesta quinta-feira, 23 de outubro de 2025, a decisão da Corte que estabelece a responsabilização das plataformas digitais por conteúdos produzidos por terceiros. Segundo o ministro, a medida ideal seria implementada pelo Congresso Nacional, devido à necessidade de atualização do Marco Civil da Internet em face da evolução tecnológica.
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“Nós desejávamos e desejávamos que o congresso tivesse feito a atualização do Marco Civil. Porque 10 anos, 12 anos, 11 anos, em termos de evolução tecnológica, é muito tempo”, declarou.
Participação no XVIII Congresso de Direito Constitucional
O ministro Flávio Dino participou do XVIII Congresso de Direito Constitucional, promovido pelo Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), em Brasília. Ele foi um dos palestrantes da mesa “Design, segurança e bem-estar nos ambientes digitais: O novo regime de proteção do ECA Digital e os reflexos para a regulação da internet no Brasil”.
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Em 26 de junho deste ano, o Supremo, por maioria, fixou interpretação ao artigo 19 do Marco Civil da Internet (Lei 12.965/12), para responsabilizar as redes sociais por publicações que não forem retiradas do ar. A tese estabelece que as plataformas devem agir por conta própria para impedir conteúdos ilícitos.
Relação com a Hiperjudicialização
Segundo o ministro, a decisão do Supremo está relacionada com a hiperjudicialização no país. “Na medida em que o Congresso consegue votar uma lei, ainda que sobre um tema específico, isso já deve ser visto por todos nós, cidadãos e cidadãs, como um salto qualitativo.
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No momento momento em que nós temos uma hiperjudicialização e portanto uma sobrecarga desproporcional sobre o Judiciário. Diferente do que alguns imaginam, isso é indesejável”.
O ministro defendeu a necessidade de uma legislação específica para regular as plataformas e considerou que a decisão do STF sobre o Marco Civil suprimiu uma lacuna legislativa. No discurso, Dino afirmou que há avanços “normativos” para regulamentar as plataformas, como aprovação do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) Digital – Lei 15.211/25 – e a proibição do uso de celulares no ambiente escolar, com a Lei 15.100/2025.
“A tecnologia melhorou a vida das pessoas. Mas não significa dizer que o avanço tecnológico sempre é bom. Por exemplo, recentemente o Brasil aprovou legislação que tirou celulares de dentro das escolas. Ou seja, impedir o acesso das crianças à tecnologia foi medida positiva.
E isto deve ser compreendido como papel do direito”, declarou o ministro.
Para Dino, a regulamentação da internet garante a liberdade para “os mais frágeis” em um momento marcado por “práticas abusivas em relação às novas tecnologias”.
“Exige muito esforço coletivo. Não é [algo] institucional, é social”, afirmou. “O Supremo pode muito, mas não pode tudo, sobretudo nestes temas de tecnologia”, finalizou.
