“Aumento alarmante no uso de ‘canetas emagrecedoras’ após o parto! Novo estudo aponta para 173 casos por 10 mil nascimentos na Dinamarca. Descubra os detalhes.”
É comum que, após o parto, a mulher leve alguns meses ou até mais de um ano para retornar ao peso que ganhou durante a gravidez. A pressão para recuperar o corpo de antes pode levar muitas mulheres a buscarem soluções rápidas. Um estudo recente revela um aumento significativo no uso de medicamentos agonistas do receptor GLP-1, conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”, por mulheres que buscam acelerar esse processo.
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A pesquisa, conduzida por cientistas dinamarqueses e canadenses, analisou dados de nascimentos na Dinamarca entre janeiro de 2018 e junho de 2024, combinados com informações do sistema nacional de prescrições médicas. O objetivo foi identificar mães de recém-nascidos que utilizaram medicamentos como semaglutida ou liraglutida, ativos presentes em fármacos como Ozempic e Wegovy.
Os resultados mostraram uma mudança notável no padrão de uso desses medicamentos ao longo do tempo. Em 2018, apenas cinco mulheres por 10 mil partos utilizavam essas substâncias. No entanto, seis anos depois, essa taxa saltou para 173 pessoas por 10 mil nascimentos. Entre as mais de 382 mil gestações analisadas, 1.549 mulheres recorreram a essas “canetas” no período pós-parto.
Um ponto de virada ocorreu em dezembro de 2022, quando a Dinamarca liberou a semaglutida para o tratamento de obesidade. Anteriormente, o medicamento era indicado apenas para o tratamento do diabetes mellitus tipo 2.
Esse fenômeno não se restringe à Dinamarca. Médicos brasileiros também observam um aumento na procura por esses medicamentos. “Desde a popularização dessas medicações agonistas do GLP-1, percebo um aumento”, afirma o endocrinologista Carlos André Minanni, do Einstein Hospital Israelita. “A busca se dá tanto por pessoas que já apresentavam sobrepeso ou obesidade antes da gravidez quanto por puérperas com um IMC (Índice de Massa Corporal) não tão elevado.”
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As motivações das pacientes variam, mas incluem desconforto com o corpo, medo de não recuperar o peso original, baixa autoestima e histórico de efeito sanfona – nome dado à dificuldade de manter o emagrecimento que leva a um novo ganho de peso.
Muitas dessas questões estão ligadas à pressão estética, que impõe a magreza como padrão de corpo ideal.
Ainda há pouco conhecimento sobre como os medicamentos GLP-1 interagem com as mudanças hormonais e fisiológicas do puerpério. “Pequenos estudos sugerem que a semaglutida não passa para o leite materno em quantidades mensuráveis, e não foram relatados danos claros nos bebês amamentados”, relata Mette Bliddal, pesquisadora da Universidade do Sul da Dinamarca e autora do estudo, em entrevista por e-mail à Agência Einstein. “No entanto, isso não significa que os medicamentos sejam comprovadamente seguros durante a amamentação.”
Os efeitos colaterais conhecidos dessas medicações incluem náusea, vômito, diarreia, constipação, piora de fadiga e dificuldade de manter nutrição adequada. Em casos raros, a pessoa pode desenvolver quadros de colecistite (formação de pedras no interior da vesícula biliar) ou outras complicações. É importante ressaltar que a hipótese de esses medicamentos afetarem a produção de leite materno ou sua composição nutricional ainda precisa ser totalmente descartada.
A decisão sobre o uso desses medicamentos deve ser individualizada, considerando a gravidade da obesidade, comorbidades, histórico de transtorno alimentar, saúde mental, suporte para mudanças de estilo de vida e planejamento reprodutivo. É fundamental acolher as mulheres, validando suas queixas sem pressa, reconhecendo o incômodo sentido por elas, mas lembrando de enquadrar o pós-parto como fase de adaptação temporária.
“Esses medicamentos não podem ser vistos como atalhos cosméticos. O tratamento, se realmente necessário, deve ser feito no momento certo e com o devido acompanhamento médico”, pontua Carlos Minanni. “É importante ressaltar que a decisão deve ser individualizada, considerando a gravidade da obesidade, comorbidades, histórico de transtorno alimentar, saúde mental, suporte para mudanças de estilo de vida e planejamento reprodutivo.”
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