Demência: Subdiagnóstico e Desafios no Brasil Exponenciais Até 2050

Demência: Subdiagnóstico e desafios no Brasil. Projeções indicam aumento global. Subdiagnóstico alarmante no Brasil: 8 em cada 10 casos não diagnosticados. Desafios na implementação da Política Nacional de Cuidado

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(Imagem de reprodução da internet).

A demência já representa uma das principais causas de incapacidade em escala global e sua incidência deve aumentar significativamente nas próximas décadas. Projeções indicam que, até 2050, doenças mentais estarão entre os três maiores grupos de enfermidades diagnosticadas em nível mundial.

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Subdiagnóstico e Falta de Capacitação

No Brasil, a percepção da demência é alarmante, com cerca de oito em cada dez pessoas afetadas sem ter o diagnóstico correto, conforme apontado por especialistas que participaram do Summit Saúde e Bem-Estar, organizado pelo Estadão. Um dos principais obstáculos reside na falta de capacitação dos profissionais de saúde na identificação precoce da doença.

Muitos pacientes com demência são diagnosticados apenas em paralelo com outras condições, como diabetes ou hipertensão, sem uma investigação específica de alterações cognitivas. A formação profissional também é apontada como um fator crítico, com relatos de pouca ênfase no tema da demência durante a graduação.

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Exames e Estigma

Apesar da existência de exames biológicos aprovados, o alto custo impede sua ampla utilização. Há uma tendência global no desenvolvimento de testes de sangue mais acessíveis, que podem facilitar o diagnóstico no futuro. No entanto, o estigma associado à demência ainda é um desafio significativo.

Muitas pessoas atribuem mudanças de memória ou comportamento a fatores relacionados à idade, sem considerar a possibilidade de demência. O preconceito e a negligência contribuem para o subdiagnóstico e o atraso no acesso a tratamentos adequados.

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Políticas Públicas e Prevenção

O Brasil implementou, em 2023, a Política Nacional de Cuidado Integral às Pessoas com Doença de Alzheimer e Outras Demências, mas a implementação do plano enfrenta desafios. O Sistema Único de Saúde (SUS) desempenha um papel importante, mas a integração de ações de prevenção, diagnóstico e apoio a familiares e cuidadores ainda é um ponto a ser aprimorado.

Especialistas defendem investimentos contínuos e governança intersetorial para garantir a efetiva implementação da política. A prevenção, com a eliminação de 14 fatores de risco, como tabagismo e baixa escolaridade, pode evitar ou adiar o desenvolvimento da demência em até 50% dos casos.

Conclusão

O diagnóstico precoce, aliado a tratamentos integrados e políticas públicas consistentes, pode alterar o curso da doença no país. A expectativa de uma vida digna, independentemente do diagnóstico, contribui para a redução do medo e melhora a qualidade de vida dos pacientes.

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