Casa de Nascimento de Hitler se Transforma em Delegacia em Braunau am Inn
A decisão de transformar a casa onde Adolf Hitler nasceu em Braunau am Inn, cidade austríaca próxima à fronteira com a Alemanha, em uma delegacia de polícia, gerou opiniões diversas entre os moradores locais. A unidade policial deve começar a operar no segundo trimestre de 2026, conforme anunciou o Ministério do Interior austríaco.
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O governo argumenta que a medida visa “neutralizar” o local, após a aprovação de uma lei em 2016 que permitiu ao Estado assumir a propriedade do edifício, que até então era privado e em estado de deterioração.
Na fachada do imóvel, uma pedra com a inscrição “Pela paz, liberdade e democracia. Fascismo nunca mais. Milhões de mortos nos alertam” serve como um lembrete constante do passado. Recentemente, jornalistas da AFP registraram a conclusão dos trabalhos de reforma na fachada do prédio.
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A iniciativa não é unânime. Alguns moradores acreditam que a delegacia pode evitar que o endereço se torne um ponto de encontro para grupos de extrema direita. Outros defendem que o local deveria ter sido destinado a um uso que promovesse a memória histórica, como um centro de informações sobre o imóvel e seu contexto.
Sibylle Treiblmaier, de 53 anos, descreveu o projeto como “uma faca de dois gumes”, enquanto Jasmin Stadler, comerciante de 34 anos, defendeu a necessidade de contextualizar o local historicamente, criticando o custo da reforma, estimado em 20 milhões de euros.
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Ludwig Laher, membro do Comitê Mauthausen da Áustria, que representa vítimas do Holocausto, considera a escolha da delegacia como “problemática”, argumentando que a polícia tem a responsabilidade de proteger o que o Estado determina, independentemente do sistema político.
A casa, onde Hitler nasceu em 20 de abril de 1889, já abrigou um centro para pessoas com deficiência antes de ser desocupada.
Wolfgang Leithner, engenheiro eletricista de 57 anos, acredita que a nova função pode trazer “tranquilidade” à região e reduzir o risco de peregrinação de grupos de extrema direita. O debate sobre o destino do imóvel ocorre em um país que enfrenta críticas históricas por não reconhecer plenamente sua responsabilidade no Holocausto, onde cerca de 65 mil judeus austríacos foram assassinados e aproximadamente 130 mil foram forçados ao exílio.
Recentemente, duas ruas de Braunau am Inn que homenageavam figuras associadas ao nazismo foram renomeadas após pressão de grupos ativistas. O Partido da Liberdade (FPÖ), de extrema direita, tem ganhado força nas pesquisas de opinião, e em 2024, obteve o maior número de votos nas eleições legislativas, mas não formou governo.
