Debate global sobre nicotina: o que a ciência diz sobre os riscos reais?

Especialistas debatem nicotina em simpósio no Brasil: o que a ciência diz sobre riscos reais? Descubra a diferença crucial entre nicotina e combustão!

13/04/2026 13:32

3 min

Debate global sobre nicotina: o que a ciência diz sobre os riscos reais?
(Imagem de reprodução da internet).

Debate Internacional sobre Nicotina: Foco na Ciência e Redução de Riscos

Em um cenário onde o debate global sobre nicotina passa por uma revisão baseada em evidências científicas, o Brasil ainda opera com premissas que começam a ser questionadas no cenário internacional. Este foi o ponto central discutido por especialistas reunidos nesta sexta-feira, dia 10, durante o simpósio Nicotina em Foco: Molécula, Evidências e Oportunidades em Pesquisa.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Mudança de Perspectiva no Estudo da Nicotina

Este foi o primeiro encontro no país dedicado exclusivamente ao estudo da nicotina como molécula. O evento reuniu pesquisadores vindos da Áustria, Grécia e Índia com um objetivo claro: desviar o foco do debate dos meios de consumo, como o cigarro, para uma análise científica da substância e seu perfil real de risco.

Contribuições dos Especialistas

Participaram do encontro o farmacologista austríaco Bernhard Michael Mayer, o cardiologista grego Constantinos Farsalinos e o médico indiano Rohan Sequeira. A união de suas áreas de especialidade reforça uma distinção crucial na literatura científica: nicotina e combustão não são sinônimos.

Constantinos Farsalinos pontuou que a associação da nicotina com danos do tabagismo ocorre porque, historicamente, ela foi consumida por meio da combustão. Ele alertou que o equívoco persiste até entre médicos, com uma parcela significativa ainda associando a substância ao câncer e a doenças cardiovasculares, percepções que não são sustentadas pelas evidências mais recentes.

Evidências Científicas Apontam para Outro Risco

Estudos apresentados no simpósio indicaram que produtos sem combustão não replicam o padrão de doenças associado ao cigarro tradicional. Dados sobre o uso de snus (sachês de nicotina) apontam para a ausência de um aumento relevante de risco para câncer ou problemas cardiovasculares.

Leia também

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Rohan Sequeira ressaltou que, se a nicotina fosse a causa principal, o padrão de doenças seria diferente. Ele afirmou que “as pessoas fumam por causa da nicotina, mas morrem por causa do alcatrão”, exigindo uma mudança na abordagem do debate.

O Desafio da Regulação em Meio à Ciência

Para Sequeira, o desafio não reside em rotular a nicotina como boa ou má, mas sim em compreender seu perfil de risco de maneira proporcional. Dados do projeto canadense International Tobacco Control (ITC) mostram que consumidores de alternativas têm maior chance de parar de fumar em comparação com não usuários.

Bernhard Michael Mayer reforçou a distinção fundamental: “O dano do tabagismo está ligado à combustão. A nicotina mantém o comportamento, mas não é o principal vetor das doenças”.

O Cenário Brasileiro em Ponto de Inflexão

O Brasil, historicamente um exemplo no controle do tabagismo, encontra-se em um momento de transição. Embora a prevalência tenha caído de 34,8% no final dos anos 1980 para cerca de 12,6% em 2019 (Vigitel), essa queda desacelerou. Atualmente, estima-se que cerca de 20 milhões de brasileiros ainda fumam.

Além disso, o padrão de consumo mudou drasticamente. Dados da PeNSE (IBGE) revelam que 16,8% dos estudantes de 13 a 17 anos já experimentaram cigarros eletrônicos, mesmo com restrições legais. Esse consumo ocorre fora de qualquer estrutura regulatória, sem controle de qualidade ou fiscalização adequada.

Conclusão: Alinhando Ciência e Políticas Públicas

Enquanto nações como Reino Unido e Suécia adotam estratégias focadas na redução de danos e aceleram a diminuição do tabagismo, o Brasil mantém uma lógica regulatória mais uniforme. Rohan Sequeira ponderou que a questão não é se o uso vai existir, mas sim em quais condições ele acontece.

O simpósio deixou uma mensagem clara: o debate global sobre nicotina já evoluiu. No Brasil, essa transformação científica ainda não se refletiu plenamente nas políticas públicas. Bernhard Michael Mayer concluiu que, neste momento, o maior risco não é apenas o produto em si, mas o descompasso existente entre a ciência e a regulamentação.

Autor(a):

Responsável pela produção, revisão e publicação de matérias jornalísticas no portal, com foco em qualidade editorial, veracidade das informações e atualizações em tempo real.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ative nossas Notificações

Ative nossas Notificações

Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!