Depoimento de Vorcaro à Polícia Federal expõe falhas no Banco Master em operação com Tirreno. O banqueiro admitiu risco inédito em aquisição de créditos
O depoimento do banqueiro Daniel Vorcaro à Polícia Federal, datado de 2023, expôs vulnerabilidades nos controles internos do Banco Master em uma operação de grande porte envolvendo créditos consignados da empresa Tirreno. A CNN teve acesso à oitiva, onde Vorcaro admitiu que a aquisição de créditos já existentes representava uma experiência inédita em escala para o banco.
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Essa operação foi intensificada por negociações com o Banco de Brasília (BRB), elevando os riscos associados.
Segundo o relato, a Tirreno foi apresentada ao Banco Master no final de 2023, por Henrique Peretto, um empresário do setor de consignados. Vorcaro declarou que não conhecia a empresa pelo nome inicialmente. O negócio surgiu como parte de uma estratégia para expandir a origem dos créditos, em um contexto de pressão regulatória e mudanças na forma como o banco captava recursos.
Apesar de afirmar que o Banco Master possuía estrutura formal com gestão de risco, compliance e jurídico, Vorcaro não detalhou as aprovações específicas relacionadas à Tirreno. Ao ser questionado sobre a checagem documental, admitiu que se tratava da primeira aquisição relevante de carteiras prontas de terceiros, o que colocou as áreas operacionais em um processo de avaliação de novos instrumentos.
A investigação centraliza-se na emissão de CDBs (cédulas de crédito bancário) lastreadas nos créditos da Tirreno.
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Vorcaro confirmou que os títulos foram emitidos internamente, justificando a formalização como necessidade para integrar créditos do mercado não financeiro ao ambiente bancário. Contudo, a instituição financeira assume a responsabilidade pela autenticidade e regularidade dos créditos.
A delegada responsável pelo depoimento destacou que, conforme os documentos analisados, as CDBs teriam sido emitidas antes da apresentação completa da documentação das carteiras, indicando falha na due diligence.
Vorcaro respondeu de forma genérica, afirmando que existiam checklists e cláusulas contratuais para proteger o banco em caso de irregularidades, sem explicar o motivo da emissão antecipada da documentação. A oitiva também revelou que a operação com a Tirreno ocorreu em paralelo com os negócios entre o Banco Master e o BRB.
Diante de questionamentos do Banco Central e da falta de documentação, o Master acionou cláusulas contratuais para desfazer o negócio.
O depoimento de Daniel Vorcaro evidencia contradições entre a existência formal de controles internos e a prática adotada em uma operação de grande porte. A apuração busca determinar se houve emissão irregular de títulos, falhas de governança e risco potencial ao sistema financeiro, pontos que permanecem no centro das investigações, com base nos relatórios do Banco Central.
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