Em Nova Délhi, Índia, líderes de 21 países se reuniram nesta quinta-feira (19 de fevereiro de 2026) para um encontro crucial sobre o impacto da inteligência artificial. A cúpula contou com a participação de apenas um representante do G7 e dez do G20, com seis provenientes da União Europeia.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Segundo uma ONG americana, 15 dos países participantes são considerados “livres”, quatro “parcialmente livres” e dois “não livres” em termos de desenvolvimento de IA.
Participantes e Temas Centrais
O encontro reuniu o presidente (PT) e chefes de estado de nações como França, Índia, Holanda e Espanha, além do Secretário-Geral da ONU e executivos de empresas de destaque como Google, OpenAI, Anthropic, Nvidia e DeepMind. As discussões giraram em torno da crescente desigualdade no controle dos algoritmos e da necessidade de uma governança global para lidar com os riscos e impactos da tecnologia.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Lula defendeu a criação de mecanismos de coordenação internacional, visando estabelecer padrões para a segurança e o uso da IA. Em seu discurso, enfatizou que “quando poucos controlam os algoritmos e as infraestruturas digitais, não estamos falando de inovação, mas de dominação”.
A Proposta de António Guterres
António Guterres, Secretário-Geral da ONU, também reforçou a importância de evitar que o futuro da IA seja decidido apenas por alguns países ou por indivíduos com grande poder financeiro. Ele ressaltou que a tecnologia só trará benefícios reais ao mundo quando estiver acessível a todos.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
LEIA TAMBÉM!
O Papel da Índia e do “Sul Global”
O primeiro-ministro indiano, anfitrião do evento, criticou o domínio das grandes empresas norte-americanas no setor de IA e defendeu a abertura dos códigos dos modelos de inteligência generativa, para que qualquer pessoa possa visualizá-los, estudá-los ou modificá-los.
Ele argumentou que “devemos impedir um monopólio da IA”.
O governo brasileiro, liderado por Lula, busca trazer os países do chamado “Sul Global” para o centro das discussões sobre IA, buscando evitar que a história se repita com o acesso desigual à energia nuclear, onde países ricos criaram um “clube dos responsáveis” e deixaram os países pobres à margem do desenvolvimento tecnológico.
O “Processo de Bletchley” e a Participação Brasileira
O evento faz parte do “Processo de Bletchley”, uma série anual de reuniões intergovernamentais sobre governança, segurança e cooperação global em IA, que começou no Reino Unido em 2023, passou pela Coreia do Sul em 2024 e pela França em 2025.
A Índia é a primeira nação do Sul Global a sediar o encontro, um fato que o governo brasileiro destaca como simbolicamente relevante, tendo o Brasil participado apenas em nível técnico nas edições anteriores.
Reunião com o Google
Durante a cúpula, Lula se reuniu com o CEO do Google, Sundar Pichai, em uma publicação nas redes sociais, o presidente afirmou que a gigante de tecnologia “reafirmou o compromisso de aprofundar a parceria com o governo brasileiro e ampliar as ações com o setor privado do país”.
Segundo Lula, Pichai solicitou a reunião e “ressaltou a importância do Brasil para o Google”. Eles trataram dos “investimentos que a empresa tem feito no país, da abertura no Centro de Engenharia em São Paulo e das ações de infraestrutura e parcerias com o setor público”.
O presidente escreveu também que o governo brasileiro apresentou sua visão para a IA e as iniciativas em serviços públicos digitais, bem como o plano de atração de investimentos em data centers.
