Crise Energética e o Novo Choque do Petróleo
A guerra no Irã, somada ao fechamento do Estreito de Ormuz, expõem a vulnerabilidade do Brasil em relação à segurança energética. Essa situação levou à suspensão de projetos de ampliação do refino no país, que já estavam em andamento na época, devido à Operação Lava Jato e à pressão de grandes empresas do setor.
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O ex-presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, avalia que essa crise é impulsionada por interferências dos Estados Unidos no mercado global do petróleo, buscando controlar o fornecimento e, consequentemente, o preço da commodity.
Novas Rotas de Abastecimento
Gabrielli destaca que o conflito no Oriente Médio está alterando a geografia do comércio de petróleo, com potencial para aumentar a participação de países como Canadá, Guiana e Brasil no fornecimento de óleo bruto para a China e a Índia. Essas nações, que possuem capacidade de refino, mas não possuem acesso próprio a petróleo, se tornam peças-chave nesse novo cenário.
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O ex-presidente da Petrobras ressalta que o Irã, apesar das sanções americanas, continua sendo um importante produtor, exportando seu petróleo principalmente para a China através de rotas paralelas.
Refinarias e a Necessidade de Capacidade
O ex-presidente da Petrobras enfatiza a importância de aumentar a capacidade de refino no Brasil para garantir a segurança energética. Ele critica a inibição de novos projetos de refinarias durante os governos Temer e Bolsonaro, devido à Operação Lava Jato.
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Gabrielli argumenta que, em momentos de crise, a construção de refinarias leva em torno de cinco anos, o que não é suficiente para atender à demanda imediata. Ele defende que, em situações de emergência, é preciso priorizar a produção de combustíveis, mesmo que isso signifique adiar a transição para fontes de energia mais limpas.
Importadoras de Combustíveis e o Mercado Especulativo
Gabrielli também aborda o papel das importadoras de combustíveis no Brasil. A partir do governo Temer, foram autorizadas a atuar quase 300 empresas, que importam derivados de petróleo quando o preço internacional é mais baixo do que o preço nacional.
Ele critica essa prática como especulativa, pois apenas importa quando o preço internacional é mais barato. Para que essa importação seja justificada, é preciso aumentar o preço doméstico, o que gera um ciclo vicioso. A importação, segundo o ex-presidente da Petrobras, é um elemento de equilíbrio no mercado, mas também um fator de instabilidade.
Transição Energética e o Hidrogênio Verde
Gabrielli discute o impacto da crise do petróleo na transição energética. Ele adverte que abandonar o combustível fóssil de forma abrupta é irrealista, citando o exemplo de Cuba. Ele acredita que a transição para fontes de energia mais limpas deve ocorrer gradualmente, e que o hidrogênio verde pode desempenhar um papel importante nesse processo.
No entanto, ele ressalta que a viabilidade do hidrogênio verde depende da criação de um novo mercado, e que a produção deve estar localizada junto ao consumo, para evitar perdas na transmissão. O ex-presidente da Petrobras acredita que o hidrogênio verde deve dominar o mercado de combustíveis por volta de 2035, mas que as decisões para que isso aconteça devem começar a ser tomadas agora.
