Crise nos Cargos Formais de Jornalismo no Brasil
O número de jornalistas com Carteira de Trabalho assinada em cargos típicos de redações de veículos de jornalismo tem apresentado uma queda significativa desde 2014. Segundo um levantamento do Poder360, realizado com base nos dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o número caiu 31% entre 2014 e o final de 2025, passando de 42.605 profissionais para 29.306.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Essa tendência preocupa, especialmente considerando o crescimento dos vínculos formais em outros setores da economia.
Fatores Contribuintes para a Queda
A redução nos cargos formais de jornalismo não é um fenômeno isolado. Vários fatores contribuem para essa situação, incluindo mudanças nas políticas econômicas, a ascensão do jornalismo digital e a crescente prática da pejotização. A pejotização, que consiste em um profissional abrir sua própria empresa (geralmente como MEI) para prestar serviços a outras empresas ou pessoas, sem vínculo empregatício formal, tem se tornado uma alternativa para muitos jornalistas, evitando encargos trabalhistas e contribuições previdenciárias.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Distribuição Geográfica da Queda
A queda nos empregos formais via CLT de jornalistas se deu em todos os estados brasileiros. As maiores baixas foram registradas no Espírito Santo, Amazonas e Rondônia. Apesar da redução em todas as unidades da federação, São Paulo, Rio de Janeiro e o Distrito Federal se mantêm como os estados com o maior número de profissionais do jornalismo formalmente registrados em Carteira de Trabalho.
Pejotização e o Impacto no Jornalismo
A pejotização está diretamente relacionada à crise nos cargos formais de jornalismo. A prática, que se intensificou nos últimos anos, permite que profissionais atuem como jornalistas sem as garantias e benefícios assegurados aos empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
LEIA TAMBÉM!
Essa modalidade de contratação tem contribuído para a precarização do trabalho e a redução dos empregos formais na área.
Dados Demográficos e Distribuição de Gêneros
Em relação à composição da força de trabalho, as mulheres representam 49,9% de todos os jornalistas contratados via CLT em redações, enquanto os homens correspondem a 50,1%. No entanto, a distribuição de gênero se altera em cargos de chefia, onde os homens são maioria como diretores de redação e editores.
Jornalismo e Assessoria: Uma Perspectiva Ampliada
Além dos jornalistas que atuam em redações, o levantamento do Poder360 considerou também outros profissionais ligados ao jornalismo, como assessores de imprensa. Essa categoria também apresentou uma queda de 30% nas vagas geridas pela CLT desde 2013, refletindo a tendência de precarização do trabalho na área.
Conclusão: Desafios e Perspectivas para o Jornalismo
A crise nos cargos formais de jornalismo é um reflexo de transformações profundas no mercado de comunicação. A pejotização, as mudanças nas políticas econômicas e a ascensão do jornalismo digital são fatores que contribuem para essa situação. É fundamental que o setor busque novas formas de sustentabilidade e que se promovam políticas públicas que garantam condições de trabalho dignas para os jornalistas.
