Crise iminente: ICE e tensões em Minnesota após morte de Renee Good

Investigação do professor em Minnesota causa polêmica com operação de imigração sem precedentes. Mais de 2 mil agentes federais em Minnesota, incluindo área metropolitana de Twin Cities, evidenciam complexidade do cenário após morte de Renee Good

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(Imagem de reprodução da internet).

A Complexidade da Imigração nos EUA: Uma Perspectiva Brasileira

A investigação do professor de Ciência Política, que se agravou a cada dia, tornou-se a maior polêmica causada pela operação de imigração sem precedentes nos Estados Unidos. Com mais de 2.000 agentes federais destacados para Minnesota, um estado que abriga mais da metade e a maioria da população imigrante da região, os ânimos estão exaltados, especialmente na área metropolitana de Twin Cities.

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Com 3,1 milhões de habitantes, a região é um importante polo de imigração, com a maioria da população imigrante concentrada ali.

A morte de Renee Good, que colocou Minnesota no centro das atenções internacionais pouco mais de 5 anos após o assassinato de George Floyd, evidenciou a complexidade do cenário. Floyd foi asfixiado e morto a menos de 2 quilômetros de onde Renee Good foi baleada.

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Assim como em 2020, a situação gerou questionamentos sobre a conduta das autoridades policiais e sobre os eventos nos EUA, uma nação colonialista construída às custas de pessoas escravizadas, traficadas e de mão de obra imigrante, com um histórico de xenofobia.

Como integrante de organizações que buscam proteger a dignidade dos imigrantes no Estado, procurei detalhar alguns pontos deste cenário, com base em minha pesquisa sobre imigrantes brasileiros e na minha experiência no acompanhamento in loco das ações do Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira dos EUA (ICE) na minha cidade, que fica a uma hora de Minneapolis.

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A população de Minnesota nascida no exterior constitui cerca de 1,5%, o 20º (entre 50) Estado com mais imigrantes, ainda abaixo dos 14,3% do país. A população estimada de imigrantes indocumentados do Estado é ainda menor em comparação com outros.

Minnesota ocupa a 33ª posição (entre 50) em proporção de imigrantes não autorizados, com uma estimativa de 2,2% (130.000 pessoas), bem abaixo da estimativa nacional de 4,1% (14 milhões) e insignificante em comparação com a Califórnia, Texas, Flórida e Nova York.

A resposta curta para o porquê Minnesota se tornou um campo de batalha para o governo Trump é a política. O presidente Trump concentrou seus esforços em minar os Estados azuis (que votam nos democratas), e Minnesota se mostrou um alvo oportuno para seus objetivos políticos.

O atual governador Tim Walz concorreu como candidato a vice-presidente de Kamala Harris nas eleições de 2024.

A descoberta da maior fraude relacionada à Covid-19 no país (pelo menos US$ 1 bilhão roubado, e provavelmente mais ainda a ser descoberto), envolvendo alguns integrantes da diáspora somali que vive na região, foi usada para justificar a repressão ao Estado.

O presidente Trump, chamando os imigrantes somalis de “lixo”, reforçou a retórica inflamada, e foi um prelúdio para a violência que se desenrolou.

O assassinato de Renee Good foi gravado por um número impressionante de transeuntes e ativistas. A concentração geográfica é uma das razões, assim como o esforço conjunto de organizações ativistas e cidadãos preocupados no desenvolvimento de chamadas “redes de resposta rápida”.

Essas equipes, com origens no movimento de resposta ao assassinato de George Floyd, são uma consequência direta da retórica e da abordagem de Donald Trump para lidar com a imigração desde o seu primeiro mandato.

Após a vitória eleitoral de Trump em 2024, ficou claro que ele iria impor uma política mais rigorosa. Nesse contexto, organizações como a “Rede de Apoio à Imigração” e a “Comunidade em Defesa dos Direitos Humanos” começaram a mobilizar ativistas e cidadãos preocupados para serem treinados em identificar agentes de imigração, denunciar e proteger suas comunidades.

Em um dia após o assassinato de Renee Good, eu tive o meu próprio encontro com agentes de imigração: como integrante de um grupo de resposta rápida em minha cidade, a uma hora de Minneapolis, eu estava estacionado em um bairro onde agentes de imigração foram vistos no dia anterior.

De repente, 6 carros, a maioria com placas de outros Estados, entram no bairro. Eu os sigo, paro a uma distância segura e repasso a informação para a equipe. Outro integrante da minha equipe está estacionado do outro lado da rua. Apliquei o método de coleta de informações, buscando detalhes que pudessem ajudar as equipes a identificar os carros usados pelos agentes, que nunca possuem qualquer tipo de tarja ou identificação oficial.

Esses agentes, cerca de 10, começaram a andar pelo bairro, batendo nas portas e verificando se estavam destrancadas. Imediatamente depois dessa interação, eles foram embora. Exemplos semelhantes a esta minha experiência acontecem em todo o Estado. É por isso que equipes de resposta rápida são necessárias.

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