Crise de mão de obra qualificada atinge o Brasil: indústrias e comércio enfrentam desafios. Setores como indústria e varejo de SP sofrem com a falta de profissionais qualificados
Empresas de diversos setores da economia brasileira estão enfrentando um déficit significativo de mão de obra, especialmente aquela com qualificação técnica. Apesar da taxa de desemprego estar em 5,6%, segundo dados do IBGE, muitas empresas, principalmente na indústria, relatam dificuldades em contratar profissionais com as habilidades necessárias.
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A CNI (Confederação Nacional da Indústria) apontou que 62% das empresas do setor enfrentam dificuldades para contratar mão de obra qualificada. O setor destaca a educação e a qualificação da força de trabalho brasileira como um gargalo, conforme explica Felipe Morgado, superintendente de Educação Profissional e Superior do Senai.
“O Brasil possui um histórico de crescimento no número de jovens que concluem o ensino médio, mas esse número ainda é baixo em relação à formação técnica,” afirma Morgado. “As novas tecnologias e os modelos de trabalho exigem profissionais com capacidade de resolução de problemas complexos.”
Instituições de ensino e empresas estão implementando programas setoriais para atender à crescente demanda por profissionais em áreas estratégicas. A CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), Brasscom (Associação Brasileira de Tecnologia da Informação) e outras entidades estão desenvolvendo iniciativas para formar profissionais em áreas como construção civil, tecnologia artificial, energia renovável, vestuário e alimentos.
A rotatividade no mercado de trabalho também é um fator relevante. Dados do pesquisador Daniel Duque do FGV Ibre mostram que o número de trabalhadores trocando de emprego aumentou significativamente desde a pandemia, atingindo 13,7% em 2024.
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A dificuldade em encontrar mão de obra qualificada não se restringe à indústria. O setor de comércio no estado de São Paulo também enfrenta desafios, com a redução do tempo médio de permanência no emprego, que caiu 7% entre 2015 e 2024.
Kelly Carvalho, economista da FecomercioSP, destaca que o tempo médio para uma empresa varejista trocar todo o seu quadro de funcionários caiu drasticamente, passando de 2 anos e 3 meses em 2020 para 1 ano e 7 meses em 2024.
Além dos fatores mencionados, a mudança no comportamento dos jovens e a migração para plataformas de trabalho autônomos também contribuem para a crise. Gustavo Coimbra, diretor da LHH Brasil, ressalta que a autonomia e a flexibilidade oferecidas por essas plataformas tornaram-se mais atraentes para os jovens.
“O ponto principal é que, como eu tenho no serviço formal uma menor atratividade comparado às outras atividades de serviços informais, trabalhar por projeto, abrir a própria empresa pode parecer mais vantajoso,” afirma Coimbra.
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