Crise Climática: Desafios e Estratégias Emergentes em 2026 – Debate em São Paulo

Crise Climática Chega: Desafios e Estratégias para 2026
A conta da crise climática já está sendo paga. Entre 2015 e 2024, dados da Codex, empresa especializada em análises ambientais, e estudos do World Resources Institute (WRI) revelam um cenário preocupante. A Plataforma Nacional de Informações sobre Desastres, sistema oficial do governo federal, e a Descarbonize Soluções apontam para um aumento na frequência e intensidade de eventos climáticos extremos.
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Esses números não são apenas estatísticas; eles refletem uma mudança profunda na forma como encaramos os riscos associados às mudanças climáticas. A gestão de riscos, antes vista como uma questão puramente ambiental, agora ocupa um lugar central nas estratégias de governos, empresas e investidores.
Mais do que perdas financeiras diretas, os impactos desses eventos moldam a percepção do futuro das pessoas e reforçam a necessidade de incorporar planejamento urbano, prevenção de desastres e a busca por uma melhor qualidade de vida nas discussões sobre o desenvolvimento.
ESG Summit: Debates sobre Adaptação e Resiliência
O tema foi amplamente discutido durante o ESG Summit, um evento promovido pela EXAME e realizado em São Paulo em 28 de maio de 2026. Participaram Caroline Medeiros Rocha Frasson, diretora-executiva da Laclima, e Marcelo Furtado, head de sustentabilidade da Itaúsa e diretor-executivo do Instituto Itaúsa.
O encontro evidenciou que a pauta climática, por décadas, focou-se principalmente na mitigação, ou seja, na redução das emissões de gases de efeito estufa. No entanto, a lentidão na implementação de outras medidas contribuiu para o aumento da ocorrência de eventos climáticos extremos, como destacou Furtado.
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Um Enfoque Ampliado: Além das Emissões
A discussão agora exige uma abordagem mais ampla, envolvendo diversos setores da sociedade. Embora a resposta aos desastres seja frequentemente associada ao poder público, o setor privado também desempenha um papel crucial na recuperação econômica, na gestão de riscos e na preparação para situações extremas. “Temos que continuar reduzindo as emissões, mas também mapeando as vulnerabilidades”, afirmou Furtado.
Caroline, por sua vez, ressaltou que a crescente preocupação com o tema está ligada ao fato de que os impactos climáticos deixaram de ser uma projeção futura e se tornaram uma realidade palpável no Brasil.
A Realidade do Rio Grande do Sul e a Importância da Resiliência
A tragédia que atingiu o Rio Grande do Sul em 2024 ilustrou a vulnerabilidade do país à crise climática. A diferença crucial é que os impactos não afetam a população de forma uniforme. Algumas comunidades enfrentam a crise em situações extremas, enquanto outras lidam com seus efeitos de maneira mais branda.
Essa disparidade é particularmente preocupante para países em desenvolvimento, como o Brasil, que possuem menor capacidade de recuperação diante de desastres. Nesse contexto, fortalecer a resiliência das populações mais expostas tornou-se uma prioridade.
Plano Clima de Adaptação: Uma Estratégia Estruturada
O Plano Clima de Adaptação, lançado pelo Governo Federal em fevereiro de 2026, busca orientar as ações de enfrentamento aos efeitos das mudanças climáticas. A diretora-executiva da LACLIMA enfatizou que o plano transforma um problema amplamente conhecido em uma agenda estruturada, com metas, indicadores, objetivos e mapeamento de fragilidades para diferentes setores da economia.
O plano inclui 16 planos setoriais voltados a áreas como cidades, infraestrutura, indústria, agropecuária, gestão de riscos e oceanos.
Resiliência como Prioridade
A questão da resiliência se tornou central para as empresas. A pergunta que as organizações devem se fazer é: o negócio continuará viável nos próximos anos se ignorarmos os efeitos das mudanças climáticas? Eventos extremos podem afetar cadeias de valor, alterar o comportamento dos consumidores e aumentar a pressão de investidores por mais transparência sobre ameaças climáticas. “Se você não quiser olhar pela lente ESG ou da sustentabilidade, olhe pela lente da resiliência do negócio”, disse Furtado, enfatizando que a questão da resiliência é, em última análise, uma questão de sobrevivência.
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