Costa Rica Alcança Renda Alta, Mas Enfrenta Desafios de Violência e Desigualdade
Em 2025, a Costa Rica consolidou uma trajetória ascendente, elevando-se ao status de país de renda alta, conforme classificado pelo Banco Mundial. O Produto Interno Bruto (PIB) per capita, calculado em dólares correntes, atingiu US$ 18.587 em 2024, superando o Brasil, cujo PIB per capita foi de US$ 10.310 na mesma data.
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Esse crescimento, impulsionado pela demanda interna, investimentos estrangeiros e estabilidade política, diversificou a economia costarriquenha, que combina a exportação de produtos agrícolas, serviços especializados e o turismo.
Violência em Ascensão e Eleições Presidenciais
No entanto, essa prosperidade coexiste com um problema crescente: a violência. A preocupação com a criminalidade se tornou um tema central nas eleições presidenciais, realizadas em 1º de fevereiro. A candidata eleita, que defende medidas mais rigorosas no combate ao crime, venceu em primeiro turno.
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A principal crítica da nova administração é que as autoridades judiciais não estão agindo de forma eficaz, permitindo a soltura de criminosos.
A Realidade no Terreno: Desigualdade e Impacto Social
A líder, Mauren Jiménez, uma líder comunitária de 54 anos, expressa a urgência de acabar com os assassinatos de jovens, muitos dos quais vítimas de falta de oportunidades e da violência associada ao tráfico de drogas. “Enterrar um familiar a quem mataram com 14, 15 anos, é muito difícil”, afirma ela à AFP.
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Em 2025, Jiménez ajudou a enterrar cerca de 20 jovens, “que infelizmente se desviam por falta de oportunidades” e vítimas colaterais, cujas famílias frequentemente carecem de recursos para realizar os rituais funerários. O índice de Gini, que mede a desigualdade de renda, é de 45,8 na Costa Rica, em contraste com o índice de 51,6 no Brasil.
O Papel das Quadrilhas e a Crise de Segurança
A violência está fortemente ligada ao tráfico de drogas, que se tornou uma atividade lucrativa em favelas e áreas marginalizadas. Sete em cada dez assassinatos são ligados a essas quadrilhas, com uma taxa de homicídios de 17 casos por 100.000 habitantes em 2025, em comparação com 11,2 em 2019.
As quadrilhas armazenam cocaína e a camuflam em contêineres de produtos de exportação, uma atividade que o país tenta combater com escâneres insuficientes, segundo Michael Soto, diretor do Organismo de Investigação Judicial (OIJ). A situação é agravada pelo fato de que o alvo das quadrilhas não são apenas os chefes, mas jovens de comunidades empobrecidas, que veem nessa atividade uma oportunidade de ascensão.
O diretor Soto relata ter ficado “impactado” com o que um menino de 13 anos lhe disse, após uma operação na província caribenha de Limón, uma das mais violentas do país, onde admitiu querer ser “narcotraficante” porque os do seu bairro se saem “muito bem”.
Medo e Reações na Comunidade
O medo generalizado se intensificou com casos como o de um menino morto em casa, atingido por uma bala perdida em 2024. O padre Gabriel Corrales, vigário de Alajuelita, expressa o temor de que “talvez o rapaz andasse com estas quadrilhas” e que um “tiroteio” possa ocorrer.
A nova administração propõe medidas como a construção de um mega-presídio e a decretação de estados de exceção em áreas marginalizadas, enquanto seus oponentes defendem reforçar a vigilância policial e naval e frear os cortes orçamentários para a segurança, feitos pelo presidente em fim de mandato, Rodrigo Chaves.
