Recifes da Flórida, Estados Unidos, registraram danos devido às altas temperaturas em 2023.
Os corais elkhorn e staghorn, que antes dominavam o sistema de recifes da Flórida, erguendo-se do fundo do mar como galhadas, agora enfrentam um cenário preocupante. Segundo um estudo recente, essas espécies cruciais estão “funcionalmente extintas” na região, devido a temperaturas oceânicas recordes. Esses ecossistemas, que foram construtores de recifes dominantes na Flórida nos últimos 10.000 anos, já estavam ameaçados por uma série de fatores, incluindo doenças, poluição, furacões e o aquecimento global.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
No entanto, uma onda de calor marinha sem precedentes parece ter dado o golpe fatal.
Em 2023, as temperaturas da água na Flórida ultrapassaram os 32 graus Celsius, a mais alta registrada na região em pelo menos 150 anos. Esse estresse térmico é um fator crítico no branqueamento de corais, um processo que os força a ejetar as algas que lhes fornecem cor e energia, deixando para trás um esqueleto esbranquiçado e fantasmagórico.
A duração da onda de calor, de cerca de três meses, intensificou o problema, com pesquisadores mergulhando para monitorar mais de 52.300 corais Acropora, um grupo que inclui os corais staghorn e elkhorn, abrangendo todo o sistema de recifes de coral da Flórida, que se estende por quase 563 quilômetros, desde Dry Tortugas e as Florida Keys, no sudoeste, até St.
Lucie Inlet, na costa leste do estado.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Até março de 2024, uma impressionante taxa de 98% a 100% das colônias no extremo sul do sistema havia morrido, segundo o estudo liderado pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (Noaa) e pelo Aquário Shedd, de Chicago. Essa perda maciça desencadeia “impactos em cascata”, conforme observado por Ross Cunning, biólogo pesquisador do Aquário Shedd e autor do estudo.
O crescimento do recife desacelera, a complexidade do habitat diminui e peixes e invertebrados perdem o abrigo e os recursos dos quais dependem. Além disso, as linhas costeiras ficam mais expostas a tempestades e à erosão.
Os autores do relatório descrevem as conclusões como “um alerta severo para o futuro dos recifes de coral em todo o mundo”. A recuperação natural dos corais Acropora na Flórida é considerada improvável, com projeções climáticas indicando que o branqueamento severo ocorrerá todos os anos até 2040. Cientistas têm tentado reforçar artificialmente as populações de corais cultivando colônias em viveiros, mas o sucesso desses esforços dependerá da frequência e da gravidade dos futuros eventos de branqueamento.
Keri O’Neil, diretora e cientista sênior do Programa de Conservação de Corais do Aquário da Flórida, enfatiza que “extinções globais reais” de múltiplas espécies de corais podem ocorrer nas próximas décadas. Ross Cunning conclui que “a janela para evitar novas perdas está se fechando rapidamente, mas intervenções direcionadas e uma ação climática agressiva ainda podem fazer a diferença”.
A situação dos recifes de coral da Flórida representa um alerta urgente sobre os impactos das mudanças climáticas e a necessidade de ações imediatas para proteger esses ecossistemas vitais. A sobrevivência desses corais depende da reversão do aquecimento global e de esforços de conservação direcionados.
Autor(a):
Responsável pela produção, revisão e publicação de matérias jornalísticas no portal, com foco em qualidade editorial, veracidade das informações e atualizações em tempo real.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!