Mercado acompanha de perto expectativa de corte de juros pela Selic. Analistas revisam projeções, com Felipe Sant’Anna (Axia Investing) cético e Rafaela Vitória (Inter) adiando início dos cortes para 2026. Riscos fiscais e externos impactam o cenário
O mercado financeiro brasileiro observa com cautela a possibilidade de cortes na taxa Selic, principal ferramenta do Banco Central para controlar a inflação. A expectativa de redução dos juros tem impulsionado o Ibovespa, mas a incerteza em relação à política fiscal do governo e aos riscos externos têm levado analistas a revisarem suas projeções.
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A principal preocupação reside no fato de que o ritmo de desaceleração da inflação tem sido mais lento do que o esperado, o que dificulta a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) em iniciar um ciclo de cortes.
Um especialista em investimentos do grupo Axia Investing, Felipe Sant’Anna, expressa ceticismo em relação ao corte de juros em breve, destacando o risco de uma política fiscal expansionista por parte do governo durante o ano eleitoral. Ele acredita que a Selic permanecerá em 15% e, caso ocorra um teste de 25 pontos-base, não há expectativa de continuidade desse ciclo de queda.
A incerteza em relação à política fiscal é um fator crucial, pois o governo pode optar por medidas de estímulo fiscal para impulsionar a economia no curto prazo, o que poderia comprometer o controle da inflação.
Analistas de diversas instituições financeiras já estão recalculando suas rotas, adiando a previsão do início dos cortes de juros para março de 2026. A economista-chefe do Inter, Rafaela Vitória, justifica essa revisão com a desaceleração preguiçosa da inflação e a persistência dos riscos fiscais.
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Mesmo quando os cortes de juros começarem, a expectativa é de que o ritmo seja lento, com a Selic terminando 2026 em 12,75% e atingindo 11,75% apenas no final de 2027.
O Copom tem adotado uma estratégia moderada, com o consumo controlado e o controle da inflação, mas essa abordagem exige cautela para evitar cortes muito rápidos que poderiam desestabilizar a moeda. O Inter, inclusive, elevou sua estimativa da Selic para o fim de 2026, de 12% para 12,5%, prevendo que a economia continuará resiliente demais para permitir um alívio maior.
Um dos principais fatores que impulsionam o mercado financeiro brasileiro é o fluxo de capitais, que tem sido positivo desde o final do ano passado. Esse movimento é influenciado pela queda da Selic global e pela desvalorização do dólar, o que torna o Brasil mais atraente para investidores.
O sócio da Apex Capital, Fabio Spinola, acredita que há chances de 2026 terminar com a Selic um pouco maior do que se previa anteriormente, devido aos riscos fiscais e à possível desvalorização do real.
A Apex Capital estima que os juros vão cair um total de 2,5 pontos percentuais este ano, mas essa estimativa pode ser revisada para cima, dependendo da evolução da economia e dos riscos externos. O fluxo positivo de capitais, observado desde o final do ano passado, deve continuar sendo acompanhado, pois ele contribui para o bom desempenho do Ibovespa, que atingiu recorde atrás de recorde e chegou aos 180 mil pontos.
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