A Copa de 1982 e a Memória do Futebol Brasileiro
A Copa do Mundo transcende o esporte, tornando-se parte da memória afetiva de muitos brasileiros. Recordações de gols memoráveis, narrações emocionantes e o local e companhia da qual se assistiu a um jogo são comuns. A disputa ocorrida na Espanha em 1982 exemplifica essa identificação entre a torcida e a seleção brasileira.
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“Eu queria ter sido tetracampeão do mundo aos 14 anos, não aos 26. É assim, de maneira bem afetiva, que costumo resumir meu fascínio pela Copa (e pela seleção brasileira) de 82”, relata Celso Unzelte, um dos mais renomados jornalistas e pesquisadores de futebol, em “82 Uma Copa para Sempre” (Letras do Brasil/2022), obra escrita em parceria com Gustavo Longhi de Carvalho.
“A Copa de 82 fascina a muitos que a acompanharam e a muitos (como eu) que a conheceram mais a fundo depois dela ocorrer. Por isso, ela é uma Copa para sempre”, complementa Carvalho.
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Unzelte se identifica particularmente com Gustavo, pois ambos tinham cerca de cinco anos em 1982. A seleção que disputou a Copa na Espanha se destaca por subverter a cultura esportiva nacional, que frequentemente execra os perdedores e não celebra os vencedores da maneira que deveria.
A derrota para a Itália, em 5 de julho, no Estádio Sarriá, em Barcelona, por 3 a 2, não diminuiu o brilho da equipe liderada por Telê Santana. O país ainda enfrentava a ditadura militar, mas a Copa gerou um clima de euforia, impulsionado pelas exibições de gala da seleção brasileira.
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Após dois mundiais com desempenhos insatisfatórios (1974 e 1978), o Brasil finalmente voltou a apresentar um futebol de alto nível. A equipe de 1982 é considerada uma das melhores desde 1970, ano do tricampeonato.
A obra de Celso e Gustavo transporta o leitor para momentos de emoção e alegria. Ao ler “82 Uma Copa para Sempre”, a torcida torce para que o resultado final seja diferente, com o Brasil campeão. No entanto, o rigor jornalístico do livro nos lembra que o futebol é imprevisível e nem sempre o melhor vence.
O livro se assemelha a “Anatomia de uma derrota”, de Paulo Perdigão, que analisa a derrota brasileira na Copa de 1950, no Maracanã, para o Uruguai – outra tragédia esportiva nacional.
Encerramos esta obra com a frase de Celso Unzelte: “nós, seres humanos, não temos saudade das coisas – mas, sim, de nós mesmos na época em que elas aconteceram”. A Copa de 1982 permanece viva na memória de todos, e a certeza de que um dia o Doutor Sócrates erguerá a taça de campeão permanece.
