Cooperativa Garibaldi: Uma Transformação Borbulhante
Por muito tempo, a Cooperativa Vinícola Garibaldi foi definida pelo volume de produção que entregava. Mas, atualmente, a cooperativa prefere ser reconhecida pela qualidade e pelo processo lento e cuidadoso de fermentação que realiza. Em 2025, a categoria de espumantes representava 46% do faturamento líquido da Garibaldi, que somou 303,7 milhões de reais, um crescimento de 10% em relação ao ano anterior.
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Essa mudança estratégica, impulsionada por décadas de margens apertadas e a necessidade de sustentar 470 famílias de produtores no campo, representa um choque de gestão, como descreve Alexandre Angonezi, diretor-executivo da cooperativa.
A Virada Estratégica
O ponto de inflexão começou com o reconhecimento do potencial do suco de uva integral, que ganhou escala a partir de 2010. No entanto, o sucesso do produto revelou um limite: a produção de grandes volumes, mais padronizada. Foi nesse momento que o espumante entrou no centro da estratégia.
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A partir de 2015 e 2016, a cooperativa passou a tratar a categoria como principal alavanca de valor, acompanhando o crescimento gradual dos espumantes e sua crescente importância para o caixa da cooperativa.
Desafios e Oportunidades no Mercado
O mercado brasileiro de vinhos finos é dominado por importações, com mais de 80% do consumo nacional proveniente de fora. No entanto, a cooperativa acredita que a competitividade é melhor para o produto nacional, especialmente no segmento de espumantes.
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A escala de produção – cerca de 80 milhões de quilos de uva processados por safra – e um portfólio de 100 itens contribuem para essa vantagem. O grande varejo responde por mais de 80% das vendas, e o e-commerce tem crescido significativamente, alcançando 27 estados, com destaque para o Sudeste e o Nordeste.
A exportação, ainda residual, serve como termômetro, com vendas para países como Estados Unidos, Reino Unido, Armênia e Chile.
Investimentos e Perspectivas Futuras
Para sustentar essa virada, a cooperativa acelerou os investimentos, com mais de 15 milhões de reais aplicados em 2025 em capacidade de armazenagem, processamento e automação. Esses recursos também ajudaram a reduzir a dependência de mão de obra terceirizada e a automatizar etapas sensíveis do processo.
O planejamento é feito com a lógica do agronegócio, não do calendário civil, com a safra começando em abril. A cooperativa espera manter o ritmo de crescimento, com uma perspectiva positiva para 2026, buscando um crescimento de pelo menos 10%.
