Estudo aponta risco aumentado de câncer de esôfago com bebidas muito quentes. Pesquisa do UK Biobank revela ligação preocupante entre consumo e doença.
Um novo estudo, baseado em dados do UK Biobank, revela uma ligação preocupante entre o consumo de bebidas muito quentes e o risco de desenvolver câncer de esôfago. A pesquisa acompanhou quase 455 mil pessoas por mais de 11 anos, investigando a influência da temperatura e da quantidade de líquidos ingeridos no aparecimento da doença.
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Os participantes relataram seus hábitos de consumo de chá e café, especificando se preferiam bebidas mornas, quentes ou muito quentes. O estudo destaca a importância de considerar a temperatura das bebidas na prevenção do câncer de esôfago.
Os pesquisadores identificaram dois tipos principais de câncer de esôfago: adenocarcinoma e carcinoma de células escamosas. O adenocarcinoma se origina nas glândulas próximas à junção com o estômago, estando associado à obesidade e ao refluxo gastroesofágico crônico.
Já o carcinoma de células escamosas surge nas células que revestem o esôfago, sendo mais frequentemente ligado a hábitos como fumar, consumir álcool e ingerir líquidos em temperaturas elevadas.
O estudo revelou que o consumo de bebidas muito quentes, especialmente quando frequente, aumenta significativamente o risco de adenocarcinoma. Pessoas que consumiam mais de quatro xícaras diárias de bebidas “muito quentes” apresentavam um risco duas vezes maior de desenvolver a doença em comparação com aqueles que preferiam bebidas mornas.
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O risco chegava a ser cinco vezes maior para quem ultrapassava oito xícaras diárias. A explicação reside no efeito térmico da temperatura elevada sobre o revestimento do esôfago, que pode causar inflamação crônica e mutações no DNA das células.
A oncologista Ludmila Koch, do Einstein Hospital Israelita, enfatiza que a OMS considera temperaturas entre 60°C e 65°C como seguras para a ingestão de bebidas quentes. No entanto, a principal recomendação é evitar consumir a bebida imediatamente após o preparo, quando ainda está fervendo.
Esperar alguns minutos para que a bebida amorne é uma medida preventiva eficaz. O alerta se aplica a diversas culturas, incluindo o Brasil, onde o consumo de café é um hábito comum.
No Brasil, o consumo de chimarrão, bebida típica do Sul, já foi associado ao risco de câncer de esôfago em pesquisas. O país é um dos maiores consumidores de café do mundo, o que reforça a importância de adotar hábitos mais seguros em relação à temperatura das bebidas.
Além disso, outros fatores de risco, como tabagismo, consumo excessivo de álcool, obesidade e dieta inadequada, também contribuem para o aumento do risco do câncer de esôfago.
Embora o estudo não condena o consumo de café ou chá, a principal mensagem é a importância de moderar a temperatura das bebidas. Ao evitar o consumo imediato após o preparo e optar por temperaturas mais amenas, é possível reduzir significativamente o risco de desenvolver câncer de esôfago.
O diagnóstico precoce, através da endoscopia digestiva alta com biópsia, e o tratamento adequado, que pode incluir cirurgia, quimiorradioterapia ou imunoterapia, são fundamentais para aumentar as chances de sucesso no tratamento da doença. O câncer de esôfago é o 6º mais frequente entre os homens e o 15º entre as mulheres, de acordo com o Inca.
A doença está entre as principais causas de morte por câncer de trato digestivo no país.
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