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Consumidores negros relatam discriminação em compras e exigem mudança

Pesquisa Akatu e DataRaça aponta 34,8% de discriminação racial no Brasil. Varejo, supermercados e shoppings são os ambientes com maior incidência. Consumidores negros, que movimentam R$ 1,9 trilhão/ano, buscam marcas inclusivas

Por: redacao

10/11/2025 14:08

2 min de leitura

(Imagem de reprodução da internet).

Uma pesquisa conjunta do Instituto Akatu e do Instituto DataRaça revelou que aproximadamente 34,8% da população negra no Brasil relataram ter sofrido discriminação ao tentar acessar produtos ou serviços durante o último ano. O estudo destaca um cenário preocupante, com impactos significativos no comportamento do consumidor negro.

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Os setores de varejo (41%), supermercados (28%) e shoppings (19%) se destacaram como os ambientes onde a discriminação racial foi mais frequentemente identificada. Esse dado ressalta a necessidade de atenção e ações corretivas em diversos segmentos do mercado.

O levantamento, com análise técnica da Market Analysis, utilizou dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua). Ele também apontou que os consumidores negros, que representam um volume de consumo de cerca de R$ 1,9 trilhão por ano, demonstram maior criteriedade e protagonismo nas decisões de compra, especialmente entre os jovens e as mulheres.

Uma parcela significativa dos entrevistados (37,4%) já premiou marcas que demonstram respeito à população negra, através da compra ou recomendação de produtos e serviços. Por outro lado, 24,6% puniram empresas com práticas racistas, expressando sua insatisfação por meio de críticas ou boicotes.

O comportamento de discriminação racial é mais prevalente entre jovens de 18 a 34 anos e mulheres negras, grupos reconhecidos por seu engajamento e atenção às práticas de inclusão. Entre as mulheres, 42,6% já recompensaram marcas alinhadas a valores de equidade racial, enquanto 30,2% disseram ter boicotado marcas.

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A geração Z se destaca como o grupo mais mobilizado. Segundo a pesquisa, 73,9% desses jovens percebem discriminação em compras e serviços, mas 45,5% já premiaram marcas inclusivas, indicando que o futuro do consumo será influenciado por propósitos e coerência.

Em termos de região, o Nordeste lidera em engajamento na internet e ativismo de consumo, principalmente através das redes sociais (67,4%), além de apresentar maior otimismo sobre o poder transformador das marcas. O Sudeste concentra o maior nível de confiança no YouTube (72,5%), enquanto o Centro-Oeste se destaca pelo uso do WhatsApp (49,5%) e o Sul apresenta a maior percepção de barreiras raciais no consumo.

Setores e Desafios: Os setores de e-commerce, higiene e beleza, moda e bancos apresentam a melhor avaliação sobre inclusão racial, com mais de 70% de aprovação quanto à representatividade, atendimento e coerência de discurso. Já os setores de bebidas, medicamentos e o setor alimentício apresentam menor diálogo com a diversidade racial, abaixo da média geral.

Desafios: Setores com atendimento presencial, como varejo físico, shoppings e supermercados, enfrentam maiores dificuldades e, ao mesmo tempo, as maiores oportunidades de evolução. A representatividade real é considerada o principal fator determinante na percepção de valor das marcas, sendo a presença de pessoas negras em campanhas de publicidade um motivo para uma avaliação positiva.

Para 64% dos consumidores, ver pessoas negras retratadas de forma positiva e diversa aumenta a confiança na marca. Já 69% afirmam que a ausência de profissionais negros em cargos de liderança ou como porta-vozes reduz a percepção de autenticidade.

Os principais erros identificados são o uso superficial da cultura negra (até 18%) e a ausência de campanhas sobre igualdade racial (15%).

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Consumo NegroDiversidade RacialInclusão RacialRepresentatividade Racial
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Autor(a):

redacao

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Bruno Pinheiro

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