Consumidor exige origem e sustentabilidade: o que falta para a confiança total?

A Mudança no Consumidor Brasileiro: Exigência por Origem e Sustentabilidade
O perfil do consumidor brasileiro passou por uma transformação notável, de maneira gradual e constante. A atenção à procedência dos alimentos, antes restrita a grupos específicos, hoje influencia as decisões de compra de uma fatia crescente da população.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
O mercado, por sua vez, demonstra sinais claros de adaptação a essa nova demanda.
Dados recentes reforçam essa tendência. Um levantamento da NielsenIQ aponta que cerca de 73% dos consumidores globais alterariam seus hábitos para diminuir o impacto ambiental, e mais de 60% afirmam que pagariam mais por produtos com origem sustentável comprovada.
Desafios e a Busca por Credibilidade
No Brasil, o estudo Sustainability Sector Index da Kantar revela que 87% dos brasileiros desejam consumir de modo mais consciente, embora apenas 35% se sintam aptos a fazê-lo. O principal entrave apontado é o custo elevado, seguido pela carência de informações e pela desconfiança geral.
O Papel das Certificações na Confiança
É justamente essa desconfiança que as certificações buscam sanar. Em cadeias produtivas complexas, como a da carne bovina, a rastreabilidade deixou de ser um mero diferencial e se tornou uma necessidade crescente.
Leia também
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
“Não basta apenas alegar qualidade, sustentabilidade ou bem-estar animal. É imprescindível comprovar”, afirma Caio Penido, da SouBeef, especialista em carnes de origem sustentável. Para ele, a validação por terceiros independentes confere a credibilidade necessária, mesmo para quem não é especialista no assunto, mas busca segurança na escolha.
Transparência da Fazenda ao Prato do Cliente
Essa lógica de controle e transparência manifesta-se de diversas maneiras ao longo de toda a cadeia alimentar. Algumas empresas adotaram a estratégia de eliminar intermediários, assumindo o controle total do processo, do início ao fim.
Exemplos de Controle de Ponta a Ponta
Um exemplo disso é a premiada marca de chocolates finos, que em 2017 adquiriu sua própria fazenda em Ilhéus, na Bahia, para cultivar o cacau utilizado em seus produtos. Patrícia Landmann, sócia da empresa, explica que isso permite oferecer ao cliente uma experiência e um produto verdadeiramente únicos.
No setor varejista especializado, a transparência também se tornou um argumento de venda central. Sylvio Lazzarini, da Intermezzo Carnes, ressalta que a rastreabilidade é vital para manter a confiança do consumidor. Ele enfatiza que, em um mercado tão vasto, o consumidor tem o direito de saber exatamente o que está adquirindo.
A Experiência Gastronômica com Narrativa de Origem
Em restaurantes, essa preocupação guia tanto a escolha de fornecedores quanto a apresentação dos pratos. O Corrutela, em São Paulo, utiliza energia solar e compostagem própria, priorizando ingredientes sazonais e livres de agrotóxicos, comprados diretamente de produtores locais.
O Blaise, brasserie em São Paulo, destaca-se por ser o único restaurante no Brasil com a pontuação máxima na certificação Food Made Good. Seu menu sazonal incorpora insumos de produtores engajados em práticas sustentáveis, como o projeto A.mar, que valoriza a pesca artesanal em comunidades tradicionais.
A Proximidade Física como Garantia de Qualidade
Existe também o modelo de rastreabilidade baseado na proximidade física entre o produtor e o estabelecimento. O Azur do Mar, no Mercado de Pinheiros, exemplifica isso ao receber seus insumos diariamente da peixaria Nossa Senhora de Fátima, localizada no corredor vizinho.
Cecília Whately, da Carlini Avocados, reforça o benefício desse modelo para o consumidor final, que recebe produtos mais seguros e de melhor qualidade. A rastreabilidade, portanto, transcende o marketing, tornando-se uma resposta concreta às perguntas do consumidor moderno.
Rastreabilidade Formalizada em Carnes e Além
No segmento de carnes, a formalização veio através de programas como a Carne Angus Certificada e a Carne Wagyu Certificada. Esses programas acompanham o animal desde a origem, garantindo critérios genéticos e manejo adequado, informações que chegam ao cardápio dos restaurantes.
Casas como o Corrientes 348 trabalham com cortes de raças britânicas, acompanhados por um sommelier de carnes. Já o Pobre Juan oferece cortes de gado uruguaio 100% pastagem, como o bife ancho. O Varanda D.inner fecha o ciclo ao usar a Intermezzo, marca criada pelo próprio fundador do grupo, garantindo padrão e rastreabilidade interna.
Essa tendência não se restringe a São Paulo. Em Pomerode, Santa Catarina, o Biergarten Pomerânia integra sua identidade germânica com insumos locais, utilizando tilápia de produtor familiar e alface hidropônica do Vale do Itajaí. O fio condutor é claro: a rastreabilidade é a nova linguagem da confiança no consumo.
Autor(a):
redacao
Responsável pela produção, revisão e publicação de matérias jornalísticas no portal, com foco em qualidade editorial, veracidade das informações e atualizações em tempo real.


