Em uma decisão controversa, o Comitê Olímpico Internacional (COI) desclassificou o atleta ucraniano de skeleton, Vladyslav Heraskevych, dos Jogos Olímpicos de Milão-Cortina, na quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026. A decisão, tomada minutos antes do início da competição em Cortina d’Ampezzo, na Itália, foi motivada pela exibição de fotos de aproximadamente 20 compatriotas ucranianos falecidos devido ao conflito com a Rússia em seu capacete.
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Regras e Implicações
A desclassificação se baseou na regra 50.2 da Carta Olímpica, que proíbe manifestações políticas durante as competições. Heraskevych, de 27 anos, que treinava na Itália, teve sua credencial revogada e foi impedido de participar da competição.
O atleta, que apelidava seu equipamento de “capacete da lembrança”, expressou sua frustração com a situação, afirmando: “Eles foram mortos, mas a voz deles é tão forte que o COI tem medo deles.”
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Reações e Controvérsia
Após a decisão, a delegação ucraniana demonstrou forte reação emocional. Mikhailo Geraskevych, pai e treinador do atleta, foi visto sentado em uma pilha de neve, visivelmente abalado. A equipe de Heraskevych anunciou que recorrerá da decisão ao Tribunal Arbitral do Esporte.
Protestos e Reações Internacionais
O treinador letão Ivo Steinbergs informou à Reuters que apresentou um protesto à IBSF (Federação Internacional de Bobsleigh e Skeleton) solicitando a reintegração de Heraskevych. Um porta-voz da IBSF confirmou o recebimento do e-mail, mas informou que nenhum protesto formal foi registrado.
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Contexto Histórico e Relevância
Este caso se insere em um contexto mais amplo de sanções por manifestações políticas em Jogos Olímpicos. Em 1968, os velocistas norte-americanos Tommie Smith e John Carlos foram expulsos após erguerem os punhos com luvas pretas durante a cerimônia de premiação dos 200 metros.
Em 2024, a dançarina de break afegã Manizha Talash foi desclassificada por usar uma capa com o slogan “Liberdade para as mulheres afegãs” durante uma competição preliminar.
Conclusão: Memória e Legado
A situação de Vladyslav Heraskevych ressalta a complexa relação entre o esporte e a política, e a importância de honrar a memória daqueles que perderam suas vidas em conflitos. O atleta reafirmou seu compromisso em manter viva a lembrança de seus companheiros, acreditando que o sacrifício deles permitiu a realização dos Jogos Olímpicos.
