Empresários do setor industrial priorizam capital de giro em 2025, buscando financiamentos de longo prazo devido a juros altos e dificuldades no crédito de curto prazo, aponta CNI
O capital de giro representou a principal motivação para os financiamentos de longo prazo (com duração superior a cinco anos) utilizados por empresas do setor industrial entre fevereiro e julho de 2025. Segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 31% das empresas que buscaram crédito para cobrir despesas operacionais, como salários e impostos, optaram por linhas de crédito de longo prazo, normalmente destinadas a expandir a capacidade produtiva.
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A situação econômica, marcada por juros elevados e outros desafios, levou muitas empresas a priorizar a gestão do capital de giro imediato. A dificuldade de acesso a linhas de crédito de curto prazo, juntamente com exigências de garantias, impulsionou a busca por financiamentos de longo prazo para atender às necessidades do dia a dia.
Maria Virgínia Colusso, analista de Políticas e Indústria da CNI, destacou que “o fato de boa parte das empresas industriais tomarem crédito de longo prazo para capital de giro mostra que o crédito de curto prazo, provavelmente, está muito caro e que as demais condições, como a exigência de garantias, estão muito desfavoráveis.”
Além do capital de giro, o investimento em máquinas e equipamentos foi a segunda finalidade mais mencionada na busca por crédito de longo prazo (30%), seguido pelo investimento em instalações (10%). Em operações de curto ou médio prazos (até cinco anos), 59% das empresas indicaram o capital de giro como a principal finalidade do crédito.
O investimento em máquinas e equipamentos foi a segunda maior finalidade (15%), e o investimento em instalações (5%).
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O aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) também impactou a capacidade de investimento do setor. O levantamento da CNI apurou que a alta do imposto prejudicou quase 1/3 das empresas industriais em 2025.
De acordo com o estudo, 16% dos empresários desistiram de contratar ou renovar crédito após o aumento da tributação, enquanto outros 16% reduziram o valor solicitado. No entanto, 33% das empresas industriais mantiveram a decisão de contratar ou renovar crédito, mesmo após a alta do imposto.
Os empresários também reforçaram o papel do governo e das instituições financeiras na busca por soluções para o acesso ao crédito. A redução de custos tributários e administrativos foi a alternativa mais citada (49%), tanto para operações de curto quanto de longo prazo (39%).
A ampliação de linhas de crédito públicas foi a segunda opção mais mencionada (32%), para operações de curto prazo, e (31%) para operações de longo prazo. A simplificação das exigências das instituições financeiras também foi uma alternativa relevante (29%) para operações de curto prazo, e (32%) para operações de longo prazo.
Facilitar ou flexibilizar regras de concessão de garantias e ampliar a atuação de programas públicos de garantias fecharam a lista das cinco alternativas mais lembradas pelos empresários.
A Sondagem Especial da CNI contou com a participação de 1.789 empresas industriais, divididas em pequenas (713), médias (637) e grandes (439). O questionário foi aplicado entre 1º e 12 de agosto de 2025.
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