Claro Amplia Presença no Interior com Aquisição da Desktop
A Claro deu um passo importante na expansão de sua atuação no mercado brasileiro de telecomunicações com a compra da Desktop, a maior provedora independente de banda larga fixa do interior de São Paulo. A transação, anunciada no domingo (22), demonstra a busca das operadoras por aumentar sua escala e, principalmente, por combinar serviços de internet móvel e fixa, uma estratégia crucial para reter clientes em um setor cada vez mais competitivo.
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A aquisição da Desktop, que começou em 1997 em Sumaré (SP), e recebeu um aporte da gestora norte-americana HIG Capital em 2020, representa um avanço significativo para a Claro, que já detém 4,5 milhões de clientes em São Paulo (28,3%), ficando atrás apenas da Vivo, que possui 4,9 milhões (31%).
Contexto do Mercado
O mercado de banda larga teve um crescimento notável entre 2018 e 2022, impulsionado por medidas regulatórias que facilitaram a entrada de pequenas empresas no setor. Essa expansão foi marcada pela ampliação das redes de fibra óptica e pela atração de novos clientes.
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No entanto, o crescimento desacelerou entre 2024 e 2025, com uma expansão de apenas 2,5%, refletindo a maior competição e a dificuldade de aumentar os valores dos planos de banda larga. Essa situação tem incentivado as operadoras a buscar alternativas, como fusões e aquisições, para ampliar sua base de clientes e faturamento, ao mesmo tempo em que reduzem os custos relacionados à manutenção das redes e investimentos.
Detalhes da Transação
A Claro vai adquirir 73% da Desktop por R$ 20,82 por ação, um prêmio de 45% acima da cotação em Bolsa. A avaliação da Desktop foi de R$ 4 bilhões, considerando R$ 2,4 bilhões pelo ativos e R$ 1,6 bilhão de dívida líquida. A Claro planeja, em uma segunda etapa, comprar 27% das ações restantes no mercado.
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O valuation da Desktop foi definido em 6,2 vezes o seu lucro operacional (Ebitda) de 2025, um múltiplo considerado um prêmio em relação ao atual de 5 vezes da Desktop.
Análise de Especialistas
Analistas da XP, Bernardo Guttmann e Luis Chagas, destacaram que a transação é um sinal de que a consolidação do mercado de banda larga no Brasil está entrando em uma fase mais estratégica. Eles afirmaram que as operadoras estão usando fusões e aquisições não apenas para ganhar escala, mas também para reforçar a convergência dos serviços (móvel e fixo), aumentar a densidade regional, reduzir as desconexões e restaurar a racionalidade em um mercado que se tornou mais competitivo.
Especialistas do Itaú BBA, liderados por Maria Clara Infantozzi, também consideraram o prêmio pago pela Claro um sinal de que o ciclo de consolidação está se reativando, dada a alta competitividade e os juros elevados no país.
O presidente da Anatel, Carlos Baigorri, defendeu que a operação não é motivo de preocupação, considerando a ausência de barreiras à entrada de novas empresas no mercado e a alta dinâmica competitiva. Ele ressaltou que o mercado de banda larga no Brasil é o mais competitivo do mundo, com mais de 15 mil provedores espalhados pelo país.
