Uma nova pesquisa, encomendada pelo Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP) e conduzida pelo Instituto Locomotiva, revela uma percepção alarmante entre os brasileiros: a maioria associa diretamente o cigarro ilegal ao financiamento de facções criminosas.
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Os resultados apontam que 94% dos entrevistados acreditam que o mercado do cigarro ilegal é um motor fundamental para a economia do crime organizado no país.
A Lógica do Crime Organizado
De acordo com o estudo, 83% dos entrevistados consideram que o crime organizado lucra diretamente com a venda desses produtos, e 82% associam essa atividade ao aumento da insegurança nas cidades. Edson Vismona, presidente do FNCP, explica que a lógica por trás dessa associação é clara: “As organizações criminosas identificaram a alta lucratividade do mercado ilegal, aliada à baixa punibilidade relacionada a práticas como contrabando, pirataria e falsificação.
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Isso resulta em lucros bilionários, sem o risco de serem detidas.”
Ações da PRF e Rotas de Contrabando
Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) corroboram essa percepção. Em 2025, mais de 350 milhões de maços de cigarros foram apreendidos no Brasil, tornando o produto o mais retido em operações de combate ao contrabando. As principais rotas de contrabando passam pela fronteira com o Paraguai, especialmente em Mato Grosso do Sul, e seguem pelos eixos Paraná-São Paulo e por rodovias do Sul e Sudeste, como a BR-277, BR-163 e BR-101.
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Combate ao Contrabando: Inteligência e Mapeamento
Para combater essa atividade, a PRF depende de inteligência e mapeamento constante. “Esse mapeamento é crucial para entender o mecanismo e agir com maior efetividade”, explica Márcio Silva, chefe do Núcleo de Operações da Delegacia da PRF em Itapecerica da Serra. “No Paraná, a fronteira com o Paraguai, é onde se concentra grande parte desse tipo de crime, e as ações são direcionadas para essa região.”
Impacto Financeiro e Conexões Criminosas
O mercado de cigarros falsificados movimenta cerca de R$ 9 bilhões por ano, enquanto o volume ilegal representa aproximadamente 32% de todo o consumo de cigarros no Brasil, movimentando cerca de R$ 8,8 bilhões. Em 2024, a evasão fiscal no setor foi estimada em R$ 7,2 bilhões.
Além disso, 92% dos entrevistados acreditam que os grupos envolvidos com o mercado ilegal também atuam em outras atividades criminosas, e 85% percebem conexões entre organizações que adulteram cigarros, bebidas e combustíveis. Renato Meirelles, fundador do Instituto Locomotiva, destaca que o cigarro pirata funciona como uma “engrenagem financeira” para outras práticas ilícitas, como o tráfico de drogas e armas.
Prioridade na Segurança Pública
A pesquisa reforça a necessidade de ações coordenadas entre as polícias e os poderes para combater o mercado ilegal, que está se infiltrando na economia formal e no mercado financeiro. Edson Vismona enfatiza que o combate ao mercado ilegal é uma prioridade de segurança pública, dada a sua função como financiamento do crime organizado.
