Cientistas investigam neutrinos e o Modelo Padrão da física, buscando entender o comportamento dessas “partículas fantasmas”. Estudo italiano redefine limites para o raio de carga do neutrino do tau
O Modelo Padrão (MP) da física oferece a melhor explicação que temos atualmente sobre a composição do Universo e como as substâncias que conhecemos se mantêm unidas. Segundo o MP, os milhões de elementos que nos cercam podem ser reduzidos a apenas 17 partículas fundamentais, como elétrons, quarks e o bóson de Higgs.
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Essa teoria permite entender o que são essas partículas e como elas interagem.
O MP explica fenômenos como o comportamento dos elétrons, a radioatividade e a fusão nuclear nas estrelas, prevendo três das quatro forças que governam essas partículas: a Força Eletromagnética, a Força Forte e a Força Fraca. A Gravidade ainda é uma página em branco no MP.
A chamada Teoria Eletrofraca unifica a força nuclear fraca e o eletromagnetismo, demonstrando que ambos são, na verdade, duas faces da mesma moeda. Apesar de ter sido confirmada em milhares de testes, a teoria apresenta algumas “anomalias” no setor dos neutrinos, conhecidos como “partículas fantasmas”.
Cientistas italianos realizaram um “ajuste global de dados de espalhamento elástico neutrino-núcleo e neutrino-elétron”, buscando testar o MP de forma mais consistente. Medindo a carga elétrica de uma partícula neutra, mesmo os neutrinos, naturalmente neutros, possuem um raio de carga efetivo na teoria quântica de campos.
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O estudo confirmou que, para os neutrinos do elétron e do múon, esse rastro está de acordo com as previsões teóricas. Usando dados de detectores de matéria escura, os cientistas estabeleceram “os limites mais rigorosos da história” para o raio de carga do neutrino do tau.
O estudo revelou um resultado intrigante: os dados atuais permitem duas interpretações possíveis. A primeira se encaixa perfeitamente no Modelo Padrão. A outra é a chamada solução degenerada — um “gêmeo” matemático com valores invertidos, mas que produz o mesmo efeito nos detectores.
Os pesquisadores demonstraram que terá precisão suficiente para resolver esse “empate” e confirmar se o MP prevalecerá ou se precisará ser reescrito. Entender as propriedades fundamentais do neutrino não é só um exercício acadêmico. “À medida que avançamos para a era da precisão, este trabalho demonstra a necessidade crucial de contabilizar adequadamente todos os efeitos de energia para evitar interpretações errôneas dos dados”, destacam os autores no artigo.
Mesmo sem ter provas definitivas, esse pequeno desvio detectado funciona como um sinalizador. “Caberá a experimentos futuros esclarecer se estamos observando uma flutuação estatística ou um desvio real das previsões do Modelo Padrão”, explica em comunicado o primeiro autor do trabalho, Mattia Atzori Corona, do INFN Roma.
Seja como for, a ciência saiu vencedora nessa disputa pela melhor observação do “invisível”. O estudo não apenas validou o que já sabíamos, mas apontou o telescópio — e o microscópio — exatamente para onde a próxima grande descoberta da física deve surgir, o que é fundamental em se tratando de “fantasmas”.
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